Quem é você na fila do pão?

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Todos os dias de chuva me fazem lembrar de épocas importantes em minha vida, algumas quando a chuva era só lá fora, outras vezes , quando era dentro de mim.

Para resolver os problemas, bastava um rádio ligado no último com as músicas mais melancólicas dos últimos tempos. E um papel para desabafar.

As coisas pareciam ser tão intensas, os problemas tão grandes e eu tão pequena e despreparada.

Dava vontade de gritar, mas o grito saia rouco, sem força. Dava vontade de sair correndo até que os problemas estivessem a milhas de distância.

Acho que toda garota passa momentos de sofrimento “existencial” , afinal quem sou eu nesse mundo gigante? Um pequeno pontinho, perdido no meio dos outros e nada mais.

“Apenas mais um na fila do pão”.

Demora um tempo, mas um dia a gente acaba se encontrando e percebendo que não importa quem você é na fila no pão, se é o invejado primeiro da fila ou o coitadinho lá do final. Afinal o que é uma fila? Senão algo passageiro assim como a vida, pode durar um minuto ou muitos deles.

E na real não importa muito como você irá passar por ela, mas sim a forma como você encara essa situação. Lembrando sempre que o primeiro da fila pode já ter sido o último e o último um dia será o primeiro. Você pode ser o mal-humorado da fila ou aquele que “não está nem aí”. Se você não levar tão a sério assim você irá se divertir muito mais!

Sim, é clichê daqueles mais sem vergonha, mas a verdade é que assim a gente cresce, amadurece e todas aquelas coisas ruins que aconteceram te tornam uma pessoa mais experiente e forte. E um dia os problemas se tornam pequenos perto da grande pessoa que você se transformou.

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Sempre

*Vou colocar o link de uma música que não tem nada a ver com o texto, mas não sai da minha cabeça, é bem bonitinha rs Se quiser ouvir enquanto lê:  https://www.youtube.com/watch?v=sIWgF4QB89A
hqcelebrity.org
We♥It

Sempre vai ter uma canção pra te lembrar aquele idiota que te fez chorar.

Sempre vai ter um lugar que você vai odiar estar , por te fazer lembrar dele.

Sempre vai ter um sorriso ou olhar parecido.

Sempre vai ter um cheiro que não vai sair da sua cabeça.

Sempre terá um dia especial que vai te fazer sofrer para apagar do calendário e fingir que é só mais um dia comum.

Sempre vai ter as mensagens salvas e as ligações ao meio dia.

Sempre vai ter aquela foto linda nas redes sociais, que você não tem coragem de apagar.

Sempre vai ter os trecos que ele te deu de aniversário, de dia dos namorados e de um dia que ele viu na vitrine de uma loja achou a sua cara e te surpreendeu com o presente.

Sempre vai ter a saudade que te impede de se desfazer de todas as coisas ditas anteriormente.

Mas sempre é tempo demais.

E como diz aquela música que você ama: “O pra sempre, sempre acaba”.

5ª Autoral: Para toda vida

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Foto de Melina Souza

Este post é a minha contribuição para a “Quinta Autoral Criativa”, vi lá no blog Devaneadora de Ideias, da linda da Mayara. Adorei a ideia e resolvi participar também. E sugiro para quem gosta que participe também. 🙂 

Os idealizadores são a Juliana Lima e o Palhão. Aqui as regras, para quem também quiser participar. 

Para mim foi um desafio, porque é um microconto e eu tenho dificuldade em escrever pouco. Foi um tempão apagando, conferindo e tentando deixar da melhor forma possível. 

Espero que gostem. (y)

Para toda vida

  Jóice D’Aviz

Tic-tac, tic-tac, tic-tac.

Joana dormia, virava e revirava várias vezes. O pequeno relógio, pousado no criado mudo amarelo do lado de sua cama, insistia que estava na hora dela acordar, cada “Tic-Tac” parecia ter o som mais elevado. Até que depois de perceber que não teria mais jeito, ela decidiu levantar.

Foi ao banheiro cambaleando, como um bêbado voltando para casa de madrugada. Sentou – se no vaso sanitário e, ainda com o raciocínio lento, tentou lembrar de tudo que deveria fazer naquele dia. Levanta-se e preparando-se para um novo dia.

Vai até o ponto. E por pouco não perde o ônibus. Estranhamente não tinha muitas pessoas, como Joana foi a última a entrar só sobrou um assento: do lado de um rapaz. Ela se aproximou e perguntou se poderia sentar, ele assentiu que sim com a cabeça e abriu um sorriso tão lindo, que ela sentiu as pernas estremecerem.

Quando Joana se dá conta, ela e Rodrigo (sim esse era o nome dele) , estão conversando como velhos amigos, falando de Livros , de música. De Caetano e de Rimbaud. O tempo de repente resolveu desacelerar enquanto estavam juntos.

Mas nada dura para sempre. E chegou a hora de Joana ir embora. Quando estava quase descendo do ônibus ele gritou, chacoalhando as chaves da casa dela:

— Ei moça, você perdeu as chaves.

Quando ela foi buscar agradeceu e disse :

— Mas que cabeça a minha!

Ele completou sorrindo:

— Agora vai ter que ser para toda vida.

Número zero

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Nunca fui boa em matemática, números sempre fizeram nós em minha cabeça.

Mas sempre tive apreço por um deles o número zero, na verdade sempre me identifiquei com ele. Por achar que não tinha nenhum dom, que não sabia fazer as coisas direito.

O que é o zero? Nada, nulo, vazio, sem valor. Muitas vezes nem damos muita importância a sua existência.

O que é ser um zero à esquerda? Não é uma coisa boa, né? E quantas vezes você já se sentiu como um zero à esquerda? Eu já me senti assim muitas vezes.

Mas tudo tem seus lados e talvez ser um número zero não seja tão ruim assim. Como assim, tô ficando louca? Calma, que explico.

Veja uma das definições do Dicionário Aurélio Online, sobre o zero: 1. “Sinal numérico representado pelo algarismo 0, que não tem valor próprio, mas que colocado à direita de um outro, lhe decuplica o valor no sistema de numeração decimal.”

Perceberam ? O zero à esquerda realmente não tem valor. Porém quando está à direita com um outro número, pode duplicar seu valor! Quem não gostaria de alguns zeros acrescentados às suas contas correntes?

Pois é. Isso pode acontecer com as pessoas também. Se ela aparenta ser um “zero à esquerda” talvez só precise de alguém para completá-la, para ficar ao seu lado e dar-lhe valor que ela merece. Ou na melhor das hipóteses, descobrir que ela é um zero, bonitinho e completo, mesmo só.

E talvez todos os zeros à esquerda morem naquela Casa, da canção de Vinícius e Toquinho, na Rua dos Bobos…

Bobos felizes e que se aceitam como são,  pois entendem que apesar de serem considerados zeros à esquerda, conhecem seus valores e sabem que suas presenças, embora sutis, faça uma grande diferença no mundo.

Sobre os conselhos que nunca sigo

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A minha amiga veio me perguntar sobre um momento decisivo na vida dela. Eu enchi o peito, para dar os melhores conselhos, ela me disse que eu tenho dom para fazer as pessoas se sentirem melhor e resolverem seus problemas.

Ela disse uma coisa que ouço há tempos: “Você deveria ser psicóloga.”

Já cheguei até a cogitar essa possibilidade, mas desisti. Cheguei a conclusão de que não sou e nem quero ser profissional, pois meus conselhos jamais se basearão em teorias, eles se baseiam em sentimentos. Eu sei o que você deve estar pensando: que os sentimentos muitas vezes nos enganam. E eu sei disso. Mas não consigo ser diferente. Quando uma amiga minha me procura em busca de aconselhamento, eu abro o ouvido, a mente e o coração e tento, da melhor forma possível ajudá-la a resolver isso.

Com o tempo aprendi “técnicas” de como aconselhar minhas amigas (e amigos) de forma sensata. E descobri–baseada na minha vida e nas minhas falhas — que a gente não pode querer solucionar o problema do outro, mas sim dar conselhos que o façam decidir por si mesmo. Porque é muito fácil resolver o problema dos outros , pois estamos fora da situação, onde a solução é muito prática e não compreendemos como a pessoa não soluciona logo. Mas quem vive a problemática sabe muito bem como é, que as coisas não são tão simples, porque envolvem sentimentos. Não dá para sair por aí falando: “você tem que fazer isso !” Tem que dar sua opinião e mostrar uma deixa para a pessoa resolver o problema dela.

E mesmo assim…

Quem me vê assim toda confiante , dando o melhor conselho para a minha melhor amiga sobre o seu relacionamento amoroso, nem desconfia que eu sou um desastre neste tema.

Nem desconfia que ao contrário do que costumo dizer às minhas amigas, já chorei por homem, já briguei por homem, já me humilhei para homem, já fui feita de boba por um homem, que talvez nunca vai soube ou saberá me valorizar. Mas quem gosta de expor suas fraquezas? Eu não gosto. Sou a “durona” na frente das pessoas e a sensível dramática, no maior estilo “atriz de novela mexicana” com rímel escorrendo e tudo, dentro do meu templo (leia-se quarto).

Sabe aquele papo de não viver o que prega? Na parte de relacionamento sou assim.Minha vida amorosa é espontânea, e nunca sei qual será a minha reação quando os dilemas aparecem. Já tentei, juro, mas não sei reagir de maneira encenada. Não sei decorar meia dúzia de palavras na frente do espelho, no melhor ângulo e segurar o choro quando vou me relacionar com alguém. Eu até tento seguir todo aqueles conselhos que dou às minhas amigas, porém, confesso que não os sigo. Soa clichê, eu sei, mas sou uma verdadeira “caixinha de surpresas”.

Acontece que quando a gente ama, acaba fazendo essas besteiras por amor, que nem sempre valem a pena. Mas são necessárias para o nosso crescimento e, também conta como experiência. E você, eu e aquela sua amiga “conselheira” ainda vão passar por isso.

Ninguém tem a vida perfeita, e por melhores que os meus conselhos possam parecer , eu sei que no fim das contas as consequências a gente passa sozinho. E que bom que Deus me deu esse dom de aconselhar, e de aprender com os outros e transmitir o que sei. E que bom que meus conselhos ajudam as pessoas, é mesmo uma pena eu não conseguir segui-los (ou talvez não).

Promessas de um novo ano

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Insegurança. Eis o meu maior pecado.

Minha mãe é uma ótima pessoa, a melhor que conheço. E ela me ensinou diversas coisas, todas com um simples intuito maternal: tornar-me uma pessoa feliz. Ela me ensinou a ser solidária com a dor dos outros, ser compreensiva, ser boa. Ela é fã daquele ditado que diz: “Não faça aos outros aquilo que não quer para si.” E eu concordo com a minha mãe.

Porém colocar-se tanto no lugar nos outros, traçou uma característica delicada da minha personalidade: a insegurança.  Medo de magoar os outros, medo do que os outros irão pensar, medo dos outros. Mas cansei de viver a vida de acordo com os outros, quero viver a minha própria vida, do meu jeito, mesmo que não seja do jeito certo.

As vezes sinto raiva de mim, pois a insegurança me impede de realizar uma infinidade de coisas. Inclusive de me defender quando sou injustiçada. Ou de tentar algo novo.

Não gosto de mudanças, embora admito que me adapto bem à elas.

Já fui extremamente tímida, daquele tipo que não quer ser notada de jeito nenhum. Graças à Deus, mudei muito de uns tempos para cá. O trio “ADE” colaborou bastante para essa mudança: A idade, a maturidade e a faculdade. Conhecer pessoas diferentes me ajudou a deixar um pouquinho de lado a vergonha.

Sei que o medo, muitas vezes, é um dispositivo de segurança que nos salva de momentos perigosos. Porém, não dá para ficar  com medo a vida inteira. E a cada dia me sinto mais liberta deles.

Tento superar esses receios, essas inseguranças. Sei até onde vão os meus limites, mas resolvi abandonar os medos bobos e ver onde vai dar. E estou com os dedinhos cruzados , apostando todas as fichas em mim, torcendo para que tudo dê certo. Vai dar certo. Tem que dar.