Os textos que rasguei

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Eu já fui uma pessoa extremamente tímida. Muito observação e pouca conversa era o meu lema. E como eu era muito desconfiada, não era de conversar com ninguém sobre as minhas dúvidas, aflições, curiosidades.

Então desde que eu aprendi a estruturar os meus pensamentos no papel, aos 8 anos, ele se tornou meu confidente fiel. Era eu, o silêncio, e o barulhinho do lápis no papel. Aos poucos, a música passou a acompanhar alguns desses momentos.

E quantas vezes o papel ficou manchado com as minhas lágrimas?

Embora, na escola, eu recebesse elogios pelas minhas produções textuais, eu duvidava muito do meu potencial para escrever. Sempre fui insegura e diversas vezes rasguei e joguei fora tudo que escrevia, eu morria de medo de que alguém “me” lesse, que alguém descobrisse minhas fraquezas, meus sentimentos.  Sim, porque acredito, que mesmo inconscientemente, o autor acaba deixando um pouquinho de si em seus textos, mesmo que aquela não seja a sua vida ou a sua história.

E por muito tempo foi assim: eu rasguei, escondi, queimei… por medo que me decifrassem. Bobagem, eu nem tenho tantos segredos assim (risos). Acho pretensioso dizer que sou uma “escritora” , me limito a dizer que sou uma amadora, minha escrita não tem regras, certo ou errado, é a emoção a frente da razão.

Até hoje, sou muito crítica com aquilo que escrevo, as vezes depois de ler , eu não consigo gostar. Muitas vezes, mesmo assim compartilho, porque pode ser aquele texto não sirva para mim, mas pode ajudar outras pessoas a se emocionarem , se identificarem ou, na melhor das hipóteses, eu posso melhorar o dia de alguém que eu nem conheço. E quando recebo comentários positivos, eu fico meio que sem saber como lidar com isso, porque no fundo eu esperava mais críticas (ainda bem que não).E é estranho (um estranho bom haha) saber que tem gente que gosta e entende o que escrevo.  A gente escreve porque ama, sem esperar reconhecimento por isso, mas ouvir (ou ler) que alguém gostou daquilo que escrevemos é indescritível, emocionante.

Escrever é mesmo uma aventura! É poder ser várias pessoas ao mesmo tempo, é incomodar e ao mesmo tempo encantar. Fico feliz por poder me libertar desses nós que surgem em minha garganta, de transformá-los em palavras, de enfeitar os momentos de dar vida a personagens…

Agradeço de coração a todos vocês que entendem os meus erros de pontuação, as faltas de revisão, o excesso de vírgulas e parênteses, as histórias clichês, e meu jeito bobo e amador de escrever. Depois que publico meus textos eles não me pertencem mais. Eles pertencem aqueles que leem, que se emocionam, que fazem em suas mentes os desenhos dos meus personagens e que imaginam as cenas mágicas que tento transmitir para vocês.

Meus textos funcionam como aquela cena da  fada (Sininho) do Peter Pan, quanto mais vocês leitores acreditarem em mim, mais textos meus surgirão e eu juro, que tentarei melhorar cada dia mais.

Muito obrigada, meus leitores queridos.

 

 

 

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24 comentários sobre “Os textos que rasguei

  1. Bom, eu posso te dizer um grande “de nada”, pois sou uma das leitoras, rs. Eu gosto da forma que escreve e sou muito grata por escrever. Também sou como você, sempre critica demais e acreditada de menos com o que faço, mas no fim nada importa, afinal, estou escrevendo e é isso que interessa, não é?
    Continue assim sempre, muito sucesso, pois merece e grande beijo! 😀

  2. “O autor acaba deixando um pouquinho de si em seus textos” – não é Flaubert quem disse “Madame Bovary sou eu”? É bem isso.
    Gostei da menção ao barulho do lápis no papel.
    Também escondi muita coisa. Não joguei fora porque sou covarde, mas um amigo meu jogou vários cadernos num terreno baldio. Achei aquilo uma loucura, mas quando vou fuçar meu “baú” e vejo as besteiras que escrevi, penso: não teria sido melhor me poupar desse desprazer?
    Mas aí me dou conta de que guardar essas relíquias até pode servir de estímulo. Se vc relê-las e concluir que eram muito fracas, isso significa que vc progrediu.
    De qualquer modo, lendo, escrevendo, publicando ou não, tudo isso é experiência acumulada que só tende a melhorar a escrita. Ou seja, vc está no caminho certo, parabéns. 🙂

    • Adoro Madame Bovary. *-* Obrigada pelo comentário. Uma vez vi um professor de redação dizendo que o segredo para escrever bem é escrever muito. Com o tempo vamos nos aprimorando mesmo. Hoje vejo que a maioria dos meus textos ainda não me agradam 100%, mas quem sabe um dia. Comentários como os de vocês me deixam muito inspirada a melhorar. Mais uma vez obrigada.

      • Concordo com ele. O fato de ainda não te agradarem também é positivo, pois estimula ao aprimoramento. Pior seria a comodidade de achar que já atingiu o que queria. bjs

  3. E agora…, me identifiquei muito com seu relato só que me vi nele inserido de uma forma contrária e quando não algumas invertidas. Vou tentar descrever:
    Você diz que antes mesmo escrevendo bem, jogava fora com receio de se revelar e fazia da música uma ferramenta seja para abrandar, seja para inspirar, seja para confortar. Nesse ponto o que difere é que antes eu não escrevia, mas criava música ao piano. Solitário com acordes bem definidos, quase que uma marcação de tempo enquanto o mesmo passava. Hoje me utilizo da música ou da contemplação na natureza para escrever, acredito que a música sempre esteve dentro de meu ser a escrita apenas apareceu para deixar rastros.
    Impregnar o que escrevemos com o que temos é apenas uma forma de expressar, retirar o que há dentro, deixar fluir ao vento ou a quem dele vier respirar.
    Também aceito quando me dizem que escrevo com sentimento, com cinismo, sarcasmo, raiva ou coração, pois nas escritas que faço tudo é válido só tento deixar de lado o dito “palavrão”.
    Tem horas que não a jeito nem solução e deixamos sair um pouco do demônio interior, para sentir-se mais leve e continuar trilhando a tentativa de servir alguém, fazer o bem.
    Se novo fosse talvez coragem me faltasse para escrever, hoje já cansado da labuta, não me importo o que venham daquilo que escrevo dizer.
    Essa questão da crítica que temos, no meu caso até e mesmo tendo duas pastas muitas vezes deixo passar. Sim parece piada, mas acabo de escrever algo ai vou ler e ver como ficou, se transmite algo de bom ou não, muitas vão para a pasta “lacrada” outras assim como areia mesmo com as mãos fechadas, deixo que caiam devagar, acredito que sejam necessárias e bem salutar.
    Não me vejo como certo, correto ou perfeição, sou normal cheio de defeitos, apenas diferente de tantos gosto de olhar ao espelho e me perguntar, “devo mesmo eu escrever, ou apenas me calar?”.
    Beijos no coração! ❤ 🙂

    • Uau! Que lindo você toca piano! Eu sempre quis aprender, mas as necessidades nunca foram favoráveis… Com o tempo aprendi a tocar violão (e tá aí uma coisa que não gosto de fazer na frente dos outros). Gostei muito do seu comentário, de saber um pouco sobre você e esse final definiu bem o que sinto quando escrevo: “…devo mesmo eu escrever, ou apenas me calar?”. Antes eu só escrevia quando estava triste, a felicidade bloqueava a minha criatividade… Já hoje é o contrário , se estou muito triste, não consigo escrever. Engraçado como as coisas mudam.

  4. Como a vida é engraçada… Estava buscando novos blogs para poder seguir, me inspirar e não imaginei que chegando ao teu blog, escolhendo esse texto como o primeiro para ler, pudesse ter tanta identificação comigo.
    “E por muito tempo foi assim: eu rasguei, escondi, queimei… por medo que me decifrassem.” Esse sempre foi meu medo. hahaha, não também por ter segredos (tantos hehe), mas por timidez, medo de ser julgada, analisada, e sim, de me decifrarem… seja o que for, sempre preferi escondê-los para mim mesma.
    E o legal disso tudo é que ao ler o teu texto, ter me identificado tanto, é perceber que estou no caminho certo.
    As pessoas vão me analisar, me julgar, me decifrarem… sim, mas também irão compartilhar comigo um pedaço delas, assim como eu, um pedaço de mim. E o que é vida se não for para ser compartilhada?
    Obrigada pelo lindo texto e pelo incentivo!!! ♥

    • Como é maravilhoso entrar no blog e me deparar com um comentário lindo assim. Eu que agradeço pelas palavras carinhosas, que bom que você se identificou e gostou do texto. Eu também sempre fui tímida para expor meus textos. Achei tão lindo a forma como você terminou o comentário: “As pessoas vão me analisar, me julgar, me decifrarem… sim, mas também irão compartilhar comigo um pedaço delas, assim como eu, um pedaço de mim. E o que é vida se não for para ser compartilhada?” Muito obrigada pela troca de ensinamentos que você proporcionou. Abraço! ❤

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