Afinal, o que nós queremos?

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Retirada daqui

Era uma vez em um reino nem tão distante assim, uma princesa que não tinha um nome tão lindo como Aurora, nem tão diferente quanto Cinderela. Ela não tinha uma madrasta má, nem tinha amizade com os animaizinhos da floresta.

Os pais eram muito amáveis com ela e com as três irmãs, que aliás não se pareciam muito com as princesas convencionais que estamos acostumados a ler nos Contos de Fadas.

A mais velha chamava-se Ana, com aproximadamente 1,60 de altura, olhos azuis, cabelos encaracolados e alguns quilinhos a mais, provocados pela sua paixão por tudo que tivesse açúcar. Sempre foi um exemplo de princesa: doce, delicada, prendada, educada e todos os adjetivos que você pudesse imaginar. Sua cor preferida? Rosa. O pai até tentava arrumar-lhe pretendentes, mas ela recusava todos,queria casar com um amor verdadeiro, iguais àqueles que ela lia nos romances e encher a casa de filhos.

A mais nova, Ana Maria, era “a rebelde”, 1,70 de altura, olhos castanhos escuros e extremamente magra. O pai já havia desistido de mandar costurar vestidos longos para ela, porque ela simplesmente cortava todos acima do joelho. Passava horas tentando alisar seus cabelos e até deu um jeito de raspar a parte esquerda, deixando o pai histérico. Sua cor preferida? Preto. O rei nem tentava  arrumar marido para ela, pois ela expulsava todos com  seu jeito explosivo de ser. Ela sonhava em ser independente. Casar e ter filhos, definitivamente, não estavam nos seus planos. Ana Maria odiava ser princesa. O sonho dela era conhecer o mundo em seu cavalo.

Por fim, a filha do meio e protagonista desta história:Maria. 1,69 de altura, olhos cor de mel, nem gorda, nem magra, cabelos cacheados. Uma princesa compreensiva, inteligente, mas com personalidade forte. Ouvia sempre os pais chateados com as atitudes de suas irmãs. Ela não entendia o porquê. Afinal, o casamento era uma coisa tão indispensável assim na vida de uma mulher? Maria não tinha problema com suas roupas, corpo, ou cabelos, ela se amava do jeito que era. Pensava sim em casamento e filhos, mas nada de casamento arranjado. Ela queria ter a liberdade de poder escolher quando, como e com quem ela iria casar, e fazer o mesmo quando quisesse ter filhos. E aquele não era o momento que ela queria. Sua cor preferida? Ela não poderia escolher, haviam tantas cores que a agradavam.  Seu sonho era que um dia todas as mulheres — princesas ou não — pudessem ter a liberdade de escolher como gostariam de viver. Ela suspirava aos quatro cantos, e imaginava uma época em que as mulheres pudessem trabalhar, estudar, namorar e fazer tudo aquilo que os homens já faziam. Que um dia as mulheres pudessem sair, sem ter horário para voltar e sem se preocupar em sofrer abusos. Que pudessem usar roupas curtas, o cabelo do jeito que preferisse, comer sem se preocupar com quilinhos a mais. Que pudesse, até mesmo, escolher não casar e nem ter filhos e não ser julgada por isso. Ela tinha a consciência de que muita coisa havia mudado (pra melhor) mas ainda havia um bocado de coisas que poderiam ser diferentes. “Quem sabe um dia”, pensava ela.

O Rei, nervoso, com medo de nunca ter um neto, de não continuar a sua descendência, saía pela casa gritando aos quatro cantos: “Afinal o que essas mulheres querem”?

A Rainha tinha sido educada a sempre respeitar o seu marido, concordar com tudo que ele dissesse e a nunca respondê-lo mal. Embora, não tivesse a liberdade de falar, seus pensamentos eram livres de qualquer julgamento, então ela pensava: “Elas querem o que todas as mulheres do mundo querem: ser livres para fazer suas escolhas e ser respeitada por ser quem são. Não querem ser desrespeitadas pelas roupas que usam, não querem que os homens venham com segundas (e péssimas) intenções, não querem ser abandonadas com seus filhos, não querem ser agredidas. Elas não querem ser controladas, querem ser amadas e compreendidas. Elas querem igualdade, querem respeito!” O sonho da rainha era que suas filhas pudessem viver em um mundo que as respeitasse. E que um dia elas fossem livres, para dizer tudo o que ela era obrigada a calar.

Essa história não termina com um casamento, filhos, nem com um “felizes para sempre”, mas termina com o desejo de que um dia histórias assim deixem de existir, que as mulheres finalmente alcancem sua tão sonhada igualdade. Que um dia, a gente ligue a televisão e não se depare com mortes de mulheres assassinadas por seus parceiros, que não vejamos mulheres sendo abusadas sexualmente, nem sendo agredidas. Que a sociedade pare de julgar tanto e passe a aceitar, que embora homens e mulheres sejam diferentes um dos outros, que eles devem ter direitos iguais.

P.s.: Esse post faz parte da Postagem Coletiva do mês de Março do Projeto Vai um Café?  Sim, existe amor na blogosfera. ❤  Essa é a primeira vez que participo. *-*

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12 comentários sobre “Afinal, o que nós queremos?

  1. Arrasou, Joy! Eu ainda não tinha tido o prazer de ler o texto todo e juro que não esperava esse final.. mas fiquei tão feliz por ele! ♥
    Por direitos iguais, sim. Nós merecemos! Adorei mesmo. *-*
    Muito orgulho do nosso grupinho. Li tanta coisa boa, pontos de vista parecidos mas cada qual com sua particularidade e todos MUITO criativos. O seu mesmo, eu não esperava!

    Um beijão, Joy!

    • Eu sou assim mesmo, meio louca , começo escrevendo uma coisa e termino escrevendo outra totalmente diferente. rs Obrigada, receber um elogio seu me deixa extremamente feliz! ❤ Eu também gostei muito de tudo que li e confesso que até me inspirei em alguns deles para escrever. Beijão!

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