O moço dos olhos cor de mel -parte II

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créditos

Se ainda não leu a primeira parte, clique aqui.

Beijo de novela

Alexandre ficou surpreso quando recebeu o bilhete de Lisbela de volta.

“Droga, ela deve ter se ofendido!” Porém quando ele foi amassar para jogar fora notou que tinha algo escrito atrás do bilhete. Ele quase pulou (literalmente) de tanta felicidade.

Se conteve o dia todo. Paciência era seu sobrenome. Embora, confessasse que depois de conhecê-la ele estava perdendo um pouco essa virtude.

Chegou em casa, apressado, jogou o paletó sob o sofá, pegou o telefone e discou o número.

***

Lisbela já tinha roído todas as unhas das mãos. Pensou que ele tinha desistido, talvez foi “fácil” demais e acabou desencorajando-o.

Ela desistiu de esperar e foi tomar banho.

O telefone começou a tocar, entretanto ela não pode ouvir, por causa do barulho do chuveiro.

Ela ficou pensando o que tinha feito de errado, para ele ter desistido assim…

***

Alexandre tentou várias vezes ligar e em uma medida desesperada, decidiu ir à casa dela. Ele não iria desistir fácil assim, ele sabia que era ela, ele a queria e sabia que era recíproco. Ligou para a prima e pediu o endereço da moça.

Ele chegou correndo até a porta do apartamento e tocou a campainha insistentemente. Ouviu ela gritando, irritada, com sua insistência. Assim que ela abriu ele pode vê-la sem maquiagem, com os cabelos molhados e cara de surpresa ao vê-lo.

— O…o que você está fazendo aqui? — Disse ela.

Ele com a cara de bobo e ofegante, não conseguiu responder. Ela riu.

— Seu louco, entre aqui. Como você conseguiu passar pelo porteiro?

Ele perguntou, desconfiado:

— Tem mais alguém aqui?

Ela sorriu, mordendo os lábios.

–Só nós dois.

Ele queria puxá-la e dar “aquele beijo de novela das 8”, mas ficou só olhando para ela, esperando que ela tomasse atitude.

— Você veio para cá, só para ficar olhando pra mim com essa cara de bobo? Porque se foi é bom parar, está me dando medo.

— Na verdade, eu vim para receber meu beijo.

— E o que está esperando?

— Como assim o que EU estou esperando? Quem me deve o beijo é você. Estou esperando você tomar atitude.

Ela balançou a cabeça, comprimindo os olhos, fingindo indignação. Aproximou-se dele, pôs a mão em seu pescoço, fitou aqueles lindos olhos cor de mel por uns instantes e deu o beijo. Um beijo que durou uns vinte minutos, digno de final de novela das oito.

{Continua…}

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{No ponto de ônibus} O moço dos olhos cor de mel

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Tirei daqui

*Desde menina Lisbela colecionava fotos de noivas de revistas. Com oito anos começou a escrever em seu diário , sonhando com príncipes, castelos , filhos…

Lisbela cresceu e começou a trabalhar no Banco do Brasil, estava ganhando bem e até conseguiu comprar um apartamento.

Um dia –vocês sabem que quando aparece essa palavra algo está prestes a acontecer, certo? E aconteceu– ela  foi a uma festa íntima de uma amiga no banco. E se apaixonou pelo príncipe Alexandre, primo da amiga dela.

Ele era alto, magro, tinha olhos cor de mel e um bom papo e trabalhava em um banco concorrente. Ele também se encantou com a linda garota de cabelos dourados e cacheados.

Foram apresentados. Eles se reconheceram. Almas gêmeas sempre se reconhecem.

Os dois conversaram por horas e quando ela decidiu ir embora ele tentou um beijo roubado, sem sucesso. Não ganhou o beijo, mas ganhou um sorriso de canto de boca, que faltava dizer: “estou entregue”.

No dia seguinte, Lis encontrou em sua mesa um bilhete que dizia: “Querida, Lisbela. Você me deve um beijo. ” Ela não se conteve e deu uma risada alta, que chamou atenção dos colegas de trabalho, mas ninguém disse nada. Ela enrubesceu e todos riram.

E nos dias seguintes ela recebeu mais e mais bilhetes, com pistas e mensagens bonitinhas, do tipo que a gente só recebe quando está no colegial. Com letras de música e as vezes acompanhados com uma singela flor.

Depois de vários dias, ela resolver tomar atitude  escreveu de caneta azul atrás de um dos bilhetes : “Eu não gosto de ficar em dívida com ninguém, portanto se você quiser receber o beijo que lhe devo, ligue para esse número: 3588-8880. E resolveremos esse assunto o mais breve possível. ”

{ Continua…}

 

*Essa história faz parte de uma nova categoria do blog, chamada “No ponto de ônibus”. Nela eu contarei histórias que ouvi de outras pessoas, a maioria delas de amor. Sempre fui boa ouvinte, e nesse 25 anos de vida, já ouvi muitas histórias em pontos de ônibus, dentro de Ônibus, na fila de espera do médico… Histórias com cara de novela das 8. Eu sempre achei que deveria me inspirar para escrever sobre elas. A maioria das histórias não tinha nomes de personagens, então darei identidade à eles. Obviamente, mudarei muitos detalhes de cada história, embora inspirados na vida real, todas as histórias daqui serão de ficção. A história de hoje, por exemplo, eu alterei quase tudo: a forma como as coisas aconteceram, os empregos dos personagens, adicionei personagens que não existiram na vida real…Espero que gostem das histórias. ❤

 

Hoje eu acordei linda

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Créditos

Hoje eu acordei decidida a viver o dia da melhor forma possível. Vesti aquela roupa que há anos sinto vergonha de usar porque meu corpo não tá lá essas coisas. Decidi cortar uma franja e passar o meu batom vermelho as dez horas da manhã.

Neste dia vou ignorar qualquer opinião a meu respeito. Opiniões só nos atingem se deixarmos. Tô evitando essa gente chata, que gosta de me colocar pra baixo. Tô bem, tô feliz mesmo e tô nem ligando pra todos esses padrões.

Acordei com disposição de fazer tudo que tenho vontade: de comer brigadeiro, de sair que nem uma louca com minha câmera nas mãos registrando os detalhes que percebo.

Hoje vou dançar, girar até erguer o meu vestido. Vou cantar como se estivesse no chuveiro, vou sorrir para um estranho na rua e dar bom dia até para as árvores que estiverem no caminho.

A decisão de ser feliz pertence somente a mim, e estou pronta para ser feliz do meu jeitinho.

Como é bom sentir-se assim: Livre!

Aquela liberdade de saber que posso ser quem eu quiser. No jeito que eu quiser. Os outros podem rir, para mim eles estarão rindo para mim e não de mim. Porque as coisas começam a ficar diferentes quando as vemos de perspectivas diferentes.

Hoje não preciso que ninguém me diga que estou linda, porque é assim que me sinto. É um reflexo, de dentro para fora e essa a beleza mais bonita que existe.

Hoje eu acordei linda e ninguém vai me provar o contrário.

Não serei eu mesma para sempre

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“Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei eu mesma para sempre.” (Autor desconhecido)

Quando eu era mais nova falava de boca cheia que eu nunca iria mudar quem eu sou. Como fui tola. Eu era jovem demais para entender o quanto as mudanças são importantes na nossa vida e como, mesmo que sem querer, os acontecimentos podem mudar sim quem somos.

M-U-D-A-N-Ç-A-S. Está aí uma palavra que me assusta. Eu não uma pessoa muito ligada em horóscopo, mas vez ou outra, acabo lendo algo sobre. Sou de Touro e já li que é um signo que não gosta de mudanças bruscas, tenho que confessar que sou assim.  O irônico é que eu morro de medo de mudanças, mas me adapto facilmente a elas.

As vezes as mudanças são positivas, as vezes é disso que precisamos, e é isso que a gente quer.  Quando a mudança é algo planejado tudo se torna mais fácil, mais leve, a solução é simples. Mas e quando você ignora que precise de uma mudança? Você não quer! Não quer desapegar, não quer ir embora, não quer que as coisas mudem. Porque é muito mais fácil — e cômodo — que as coisas continuem como estão.Qualquer mudança, por menor que ela seja, para uma pessoa insegura é uma experiência assustadora.

Mas por mais difícil e dolorido que possa ser,  mudar, as vezes, é mais que necessário é libertador!

Nos últimos anos ocorreram muitas mudanças em minha vida. Muitas delas eu desejei, eu sonhei eu quis, outras aconteceram sem que eu esperasse. E eu achava que ia ser só mais uma mudança e que eu iria passar tranquilamente por ela. E o que eu pude perceber, foi que, no fundo, eu não estava tão preparada para ela quanto eu pensava. Eu sempre me achei muito madura, muito pé no chão. (In) Felizmente descobri que não.

Eu sempre fui sonhadora demais para ser “pé no chão”. O sonhador quer o voo, mas não leva em consideração as quedas e todas as consequências que elas acarretam. A gente tá tão no alto que a última coisa que pensa é que a caída pode ser dolorosa. Achamos que passaremos a vida inteira em pleno voo. A gente acha que é pluma e descobre que virou pedra.

Descobri que  uma garota pode ser imatura mesmo se achando a “garota mais madura do quarteirão.” Que a gente acerta, acerta, acerta, mas que por mais que tentemos fazer coisas certas e que não fujam muito da fatídica zona de conforto, é inevitável que coisas ruins aconteçam em mudanças aparentemente boas. Você descobre que coisas ruins, as vezes, acontecem a pessoas boas. E todas essas descobertas por mais desconfortáveis que sejam, são necessárias. Moldam quem nós somos, continuamos com a essência mas adicionamos um pouco mais de experiência na bagagem.

E com o tempo você se dá conta que essas grandes e dolorosas mudanças fazem parte do nosso crescimento.

E você sonhando em crescer logo , achando que iria ser fácil, não é?

Não, não é. Mas um dia amadurecemos e damos graças a Deus por ter nos dado a oportunidade de mudar tantas vezes. E torcemos que a gente mude muitas vezes mais.

E então é isso: Que venham as mudanças, que eu cresça, que eu aprenda e, principalmente, que eu sobreviva (eu sei que eu vou sobreviver).