Receita

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Juro que tento lutar para acordar tarde, mas meu corpo simplesmente não colabora. Tento lembrar, sem sucesso, da última vez que consegui dormir um sonho ininterrupto até pelo menos às dez da manhã. Quando minha mente fica inquieta e faz com que eu perca totalmente a vontade de voltar a dormir.

E adivinha onde ficam todas as inspirações que busquei durante o dia? Pois é, elas florescem ao anoitecer. Parece que tenho um dispositivo no cérebro, que aguarda eu estar exausta para ser acionado. Viro para a direita, viro para a esquerda , me cubro, me descubro, cubro os pés (porque tenho certeza que há um ser sobrenatural a espreita para puxar meu pé, enquanto ele está descoberto). Viro de bruços, de barriga para cima, contemplo o “nada” do teto branco e sem graça do meu quarto. Fecho os meus olhos, comprimindo-os com força, conto carneirinhos, cachorros, gatos … Mas não há nada que faça com que eu durma. Até que para melhorar a situação começo sentir vontade de fazer xixi, que me obriga a finalmente levantar. Vou ao banheiro, o melhor lugar para pensar em coisas aleatórias e em momentos improváveis.Depois de uns minutos, acendo a tela do celular que muda de 03:13 para 03:14. Sou tão boba que acho incrível quando esse tipo de coisa acontece. Fico feito criança, quando come um doce pela primeira vez. Um assunto puxa o outro que puxa o outro e o outro. De repente as palavras começam a formar frases, criam histórias. E eu busco uma folha de papel em branco e uma caneta que funcione bem, para dar vida a elas. As ideias vem, desorganizadas, sem pontuação, sem pausa. E eu vou escrevendo, escrevendo, escrevendo até chegar a exaustão, até a mão doer, até fazer o último ponto do i.

Adoço a vida real. No papel crio mocinhas, crio violões, galãs, crio paixões. Crio histórias tristes, crio histórias de amor. Crio um sorriso bonito, um homem dos sonhos que seja bom, generoso e se pareça com um dos personagens de Johnny Deep. Crio, recrio, desconstruo. Crio histórias perfeitas,  iludo os meus leitores, assim como um dia fui iludida pelas histórias que li. Crio uma trilha sonora, porque o que seria de uma boa história de amor sem uma música, para embalar o casal apaixonado? Crio alegrias e dores. Conto a história da vizinha que se iludiu com o namorado, o da avó da minha amiga que ama a mais de cinquenta anos o mesmo cara. E de todas as histórias possíveis e impossíveis.

Adiciono uma pitada de drama, culpa das novelas mexicanas que eu adoro assistir. Tem que ter lágrima, tem que ser triste, tem que causar algo em quem lê, nem que seja a sensação: “Eu não devia ter lido isto.”

E assim a receita vai findando, as palavras vão acabando e as histórias também.

Dizem que a partir do momento que você publica um texto, ele já não te pertence mais, ele pertence ao leitor que faz suas próprias interpretações sobre eles (ainda que sejam errôneas).

Sendo assim, acredito que uma história nunca tem um fim.

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