Primeiro dia de aula

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Eu sou uma pessoa ansiosa, ponto.

E as “primeiras vezes” sempre me deixaram angustiadas. A primeira vez na escola, o primeiro beijo, a primeira vez sem meus pais…

Agora, imagine como eu reajo com as primeiras vezes do meu filho.

De certa forma, cada vez que o Gabriel é capaz de fazer algo sozinho, é um atestado de que estou perdendo aos poucos ele para o mundo. E qual o problema nisso? Nenhum. A não ser aquela preocupação de mãe que sempre quer proteger o seu filho de tudo e que acha que o melhor lugar para ele é ao meu lado. E alguém duvida disso?

Quando o Gabriel foi pela primeira vez para a escola, ano passado. Eu quase não conseguia dormir. Como seria a adaptação, iriam judiar dele, ele iria comer bem? Ele iria chorar?

A minha visão de primeiro dia de aula era bem clara: as crianças agarrando nas pernas dos pais, aos prantos, enquanto as professoras arrancavam-lhes sem piedade nenhuma e os jogavam para dentro das salas. Eu imaginava um caos. Um coro choroso de crianças de várias idades.

O que eu vi, na verdade, foi um monte de crianças tranquilas — claro que algumas choravam– mas um monte de mães chorando desesperadamente ao soltar das mãos dos filhos e entregá-las para as professoras.

Eu fui forte. Abracei, beijei e me despedi, sem derramar uma lágrima.

A garganta parecia ter uns três nós gigantes. Até eu chegar ao portão e desabar. Chorei. Doeu o peito, doeu a garganta e o coração. Que tipo de mãe eu era? Uma megera que abandona o filho na escola. Péssima. Fria. Pior tipo de mãe. Eu não queria ser minha filha.

Sem dúvidas, aquela foi a manhã mais comprida da minha vida. O relógio, de pirraça, parecia que tinha empacado nas nove horas. Onze e meia parecia nunca chegar. Finalmente pude buscar meu filho e tirá-lo daquele lugar horrível. O coração saia pela boca, enquanto eu estava a caminho.

Quando cheguei lá, ele estava sentadinho, com a carinha de paisagem de sempre. Dei um abraço forte nele, finalmente juntos novamente.

E eu perguntei:

— Como foi hoje?

E ele com a maior carinha de pau me responde:

— Normal, mãe!

Como assim N-O-R-M-A-L? Que vocabulário era esse? O que fizeram com o meu bebê? Deixei um bebê na escola e voltei com um adolescente? Que tipo de criança volta da escola pela primeira vez e diz que achou normal?

Cordão umbilical cortado com sucesso. E, acreditem, doeu mais em mim do que nele.

Hoje teve início mais um ano letivo. Eu achei que por ser a segunda vez eu sofreria menos. Mas, cheguei a conclusão que jamé irei me acostumar, acho que vou chorar até quando ele for pra faculdade.

É difícil perceber que meu bebê ( que já não é mais bebê) está crescendo. E a cada dia precisa menos de mim. Aos poucos ele sai do ninho e vai conquistando seu lugar no mundo. Enquanto isso, eu fico aqui, aos prantos, triste por ele estar crescendo e feliz por perceber que a cada dia ele conquista um pouquinho do seu lugar no mundo.

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25 comentários sobre “Primeiro dia de aula

  1. Ain que texto mais lindo, quero sentir essa sensação logo. Eu sinto isso pelos meus afilhados, mas ser mãe é muito mais né? Minha mãe se pudesse me colocava em uma redoma de vidro, mas faz parte da vida, eles precisam aprender a andar sozinhos também, Beijos.

    • Muito obrigada, Simone. O que me dói e ter que deixar ele voar, quando eu queria ele sempre no meu ninho. Mas como mãe, mesmo com dor o incentivo a alçar voos cada vez maiores. Ser mãe é isso mesmo, como dizem “padecer no paraíso”.Beijos.

  2. HAHAHA desculpe amiga, mas eu ri muito lendo esse post, pq trabalho em creche e vejo o outro lado, as maes choram muito mais que os filhos mesmo, tem criança que entra correndo e nem dá tchau pra mae pq ta doida pra ver os amiguinhos e ir brincar. Claro que tem umas que berram a manha toda no inicio, mas geralmente é so nos primeiros dias. O legal é ver criança chorando na hora de ir embora hahaha
    Mas entendo esse nó que da na sua garganta, nao da pra falar quando nao tem filho, mas acho q vou ficar um pouco doida tb, mesmo sabendo q a escola nao é um lugar horrivel (salvo excessoes, claro)
    Quando vc assustar ja vai estar bem 🙂 Beijinho pra vc e pro Gabriel !
    Ah, marquei vc em uma TAG de leitura, depois olha lá (Ler é um Presente)
    bjs floooooor

    • O pior, Pri, é que eu também trabalho na área de educação e com crianças então supostamente era para eu me sair melhor, sqn. hahahaahah Eu estou super feliz pois percebo que esse ano ele se adaptou melhor que ano passado. Beijão, vou lá conferir a tag. Obrigada ♥

  3. Quando saio de casa, sabendo que não vou voltar no dia, sinto esse nó ao dizer tchau pra minha mãe. Fico imaginando quando for então um pedacinho de mim me dizendo isso… Acho que sentirei esses três do qual você falou kkkkkkkk

  4. Ain Joy, esse coração de mãe, hehehe. Mas é bonito ao mesmo tempo ver que você cria um menino forte e independente. Faz parte da vida e o amor é o que os une! Mamãe jovem e linda! Adorei te conhecer (e seu blog).

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