Para 2018: Silenciar?

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2017 foi um porre.

Não, não foi culpa do ano.  A culpa foi minha mesmo, eu assumo.

Sabe aqueles conselhos que a gente dá mas não segue? Então.

Eu sei que criar expectativas não é uma atitude muito inteligente, porque é uma coisa que foge do nosso controle. E tudo que foge do meu controle me deixa mal.

E 2017 foi expectativa de Janeiro a Dezembro, 365 dias de expectativa.

E a expectativa gera o que ? Ansiedade. E, só quem é ansioso sabe como isso é prejudicial para a saúde.

Você provavelmente já ouviu falar que quando você tem um plano, você deve ficar quieto para que ele dê certo. E eu sempre acreditei nisso, mas acabei fazendo totalmente ao contrário. Eu estava tão empolgada que falei pelos cotovelos. E, a gente sabe que nem todo mundo que é legal com você está ao seu lado e de fato torce por você.

Hoje é dia 21 de abril de 2018, e encontrei esse texto nos meus rascunhos e percebo como estou falhando na minha promessa de silenciar.

É complicado, é doloroso pois ao silenciar pode parecer que a gente consente com muitas coisas.

Mas o silêncio, que já foi meu aliado no passado, hoje é a minha maior dificuldade.

Hoje é dia 22 de dezembro de 2018 e eu sorrio ao encontrar mais uma vez esse rascunho no blog…

Sabe, muita coisa mudou desde que eu comecei a escrevê-lo. Inclusive desde de abril desse ano, que foi quando eu o “encontrei” e resolvi escrever nele de novo.

Eu ainda não tinha certeza, mas uns dias depois eu descobriria que eu estava grávida. Uma gravidez muito planejada e esperada.

E, poucos dias, depois da descoberta, na primeira ultrassom recebo um diagnóstico preocupante : um hematoma subcoriônico. Resumindo, é um descolamento ovular, um acumulo de sangue entre o que futuramente será uma placenta e o útero. Na mesma época, a Sabrina Satto estava com o mesmo problema e o caso dela era ainda mais grave porque ela teve sangramento e o descolamento era bem maior. Acompanhar a recuperação dela me trouxe esperança.

Mas, infelizmente, no mês de maio. Mês do Dia das Mães e do meu aniversário, eu recebi a notícia mais triste da minha vida: “o coraçãozinho do seu bebê parou de bater”.

Eu passei por todas as fases do luto.

Mas essa experiência triste me deu um chacoalhão. Algo precisava mudar. E assim eu fiz, comecei a organizar a minha vida financeira, profissional e pessoal. Cortei o cabelo porque eu precisava ver outra versão de mim no espelho.

Muita gente me perguntou: “como você conseguiu/está conseguindo passar por isso com tanta tranquilidade?” A verdade é que não teve tranquilidade. Foi profundamente triste e até hoje eu não consigo ver o ultrassom com ele morto sem chorar (por isso prefiro não ver mais). E, todos os dia 29 do mês eu fico triste, do nada, e quando eu vou ver a data descubro o porquê.

Porém, eu tinha que ficar bem. Porque eu tinha outro filho que precisava de mim.

E eu busquei formas de me ocupar. Até que eu descobri o que precisava ser feito: eu precisava falar.

Logo eu que jurei que esse seria o ano do silêncio.

Mas não foi. E apesar do silêncio ser muito importante, e eu ter silenciado de vez em quando,  falar foi essencial na minha recuperação.

E foi um processo complicado porque as pessoas não gostam de falar ou ouvir falar sobre o assunto. É tabu. Quantas vezes eu fui falar com alguém sobre isso e mudaram de assunto? Ou quantas vezes fingiram que não estavam ouvindo? Ou me falaram que eu não deveria estar falando sobre aquilo?

Mas falar foi a minha libertação. Falar sobre a minha dor com as outras pessoas fez com que eu me recuperasse. Porque a dor ela sempre é imensa, seja qual for o motivo dela, e a gente sempre tenta carregar ela sozinha porque falar sobre dor parece ser um pecado! E quando a gente guarda essa dor ela vai aumentando até ficar maior que a gente, tão grande que nos sufoca e é aí que vem a depressão que é quando a dor vence.

Eu fui convidada a fazer parte de um grupo de meninas que passaram ou estavam passando pelo mesmo que eu. E ali eu vi muitos casos parecidos. Mas estávamos todas ali prontas para ouvir e para desabafar também.

Com o tempo, falar sobre a minha perda se tornou algo natural para mim. Não deixou de ser triste, mas ficou menos pesado falar sobre isso.

E toda essa situação me fez olhar mais uma vez para mim, olhar para a minha vida e valorizar cada pormenor dela.

Eu olhei e mais uma vez tinha o meu copo em cima da mesa e ele tava meio cheio.

E eu falhei miseravelmente em silenciar esse ano, ainda bem porque foi isso que me salvou.

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