O amor não é comodismo. É escolha.

Elderly couple in wheelchairs, holding hands

Os dois olhavam , se entreolhavam.

Na rua , alguns jovens passavam e nem notavam a presença deles. Ver toda aquela juventude lá fora sedenta por amor, aventura e diversão fez com que recordassem, com nostalgia, os momentos que haviam vivido. Os dois se olham com uma cumplicidade…

Quando fizeram os votos de casamento provavelmente não imaginariam como terminariam os seus dias. Sonhavam em ter um cachorro, uma dúzia de filhos, uma casa bem grande e muito dinheiro.

Juntos construíram um lar. Conseguiram ter o cachorro, cinco filhos e uma casa não tão grande como imaginavam. O dinheiro? Conseguiram o suficiente para não passar fome.Os filhos cresceram e depois vieram os netos. Os cabelos brancos começaram a surgir um a um até tomar conta dos poucos fios de cabelo fino que restaram.

Começaram a sentir debilidade ao andar. Primeiro foi ele e depois de um tempo ela. Foram necessários os cuidados de outros para coisas que antes eles faziam com a maior facilidade do mundo.

A vida começou a ser vista por outra perspectiva.

Aprenderam a valorizar ainda mais a presença um do outro. Descobriram que a coisa mais valiosa que conquistaram com o passar dos anos foi o amor. Um amor que não foi nenhum final feliz de comédia romântica. Teve briga, choro, grito, raiva, mas teve amor, risada, mãos dadas…

Pensavam ser uma pena a maturidade vir tão tarde. Se soubessem metade do que sabem agora poderiam ser muito mais felizes no passado.

Aprenderam que o amor não é comodismo. É escolha. É aprender a relevar os defeitos e aproveitar o melhor das qualidades. Aquela coisa avassaladora que chamamos de amor é só o início. Depois que o êxtase acaba, a realidade te mostra quem é na verdade a pessoa que você escolheu viver.

O amor forma laços, e não dá pra mentir : as vezes ele aperta. Sim, aperta. E não é porque deixou de ser amor. É porque um dos lados puxou com força demais. E, com o tempo, a paciência e a experiência os dois lados vão aprendendo a não segurar com tanta força.

Hoje a vida passa, devagar e os dias parecem não ter fim, mas poder olhar um para o outro renova as forças.

Eles não sabem quanto a vida ainda vai durar mas sabem que estarão um lado do outro quando um deles fecharem os olhos.

E, enquanto esse dia não chega, ficam ali juntos em uma calçada virada para a rua, de mãos dadas, vendo os dias passando devagar e a vida fugazmente.

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