Programa eleitoral

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A juventude passa bem na frente dos nossos olhos. Nossa vida é um curta-metragem.

Se você levantar para ir ao banheiro perde uma boa parte.

Tem vários figurantes, que por vezes passam despercebidos aos nossos olhares. Desconhecidos que acompanham nosso roteiro do começo ao fim.

Promessas no programa eleitoral.

Lembra quando éramos mais novos e nossa maior preocupação era com as festinhas dos finais de semana?

Naquela época as coisas pareciam ser mais simples. Aliás, elas não pareciam, eram.

Embora o nosso grupo de amigos sempre tenha se destacado por ser muito politizado, nós sabíamos separar bem as coisas. Nossos pais tinham candidatos a gente não.

Quantas vezes subimos em caminhões, para participar das carreatas de comemoração, sem se importar quem era que tinha vencido. Não nos importava qual letra viesse na sigla do partido.

O importante era celebrar;

Celebrar aquela juventude que nos permitia ter menos responsabilidades.

Mas daí a gente cresceu e vieram as responsabilidades e o título de eleitor.

Quando foi que candidatos puderam influenciar tanto nos relacionamentos?

Eu achava mais legal quando eles eram só uns caras de terno que falavam falácias na televisão. E não deuses. E não mitos. Só pessoas que selecionavam palavras difíceis do dicionário para parecerem mais inteligentes e não palavras de ódio e destruição. 

Saudade de quando a nossa vida era muito mais que os minutos de uma propaganda eleitoral que atrapalhava a novela preferida da nossa mãe. 

 

Esperando você voltar

(achei essa imagem no Tumblr)

Você bem sabe que eu te vi partir e voltar uma infinidade de vezes. Desde sempre eu soube: você tinha que ir, mas sempre iria voltar. Sempre.

E foi assim que eu cresci acreditando: não importava o tempo, não importava a distância a qualquer dia você iria aparecer na porta de casa.

Mas por algum motivo, que eu até hoje não sei explicar, em uma das muitas despedidas eu senti que eu iria ter perder para sempre e angústia desse pensamento fez com que eu me desesperasse e ao te ver subir naquele ônibus estiquei os braços, em prantos e gritei:

— Mãe!

Você olhou para trás e começou a chorar muito, mas não tinha o que fazer, então foi em frente e os meus olhos perderam os seus na escuridão daquele ônibus cheio de cortinas fechadas em mais um inverno de nossas vidas.

O tempo passou e outros períodos de frio e escuridão aconteceram, mas nós estávamos juntas de mãos dadas em uma estrada quase vazia, assim como naquele sonho que eu tive e te contei.

Na véspera do pior dia de nossas vidas, do soco no estômago, do flutuar dos passos em um corredor gelado. Um déjà-vú, um incômodo, mais uma vez, em uma rodoviária em uma noite fria de inverno. Porém, dessa vez, com outros personagens, no mesmo horário, mas não no mesmo canal. Uma despedida, um até logo, mas uma sensação esquisita. Um incômodo que ecoava no peito e ultrapassava o espaço e o tempo. E me levava de volta para aquele dia, o choro, os braços abertos e você indo embora de novo, só que dessa vez, o peito apertou mais forte e você não estava há apenas alguns metros de distância, mas sim a quilômetros, em um lugar que os meus braços jamais poderiam alcançar.

No dia seguinte, o assustador barulho do telefone celular — que até pouco tempo ficava no silencioso, jogado no fundo da bolsa, mas que agora ficava sempre a mão com medo do barulho da chamada e com o alívio quando ele não tocava — a voz do outro lado em prantos pedia a minha presença, pois as próximas horas eram incertas.

Cega com a minha fé inabalável e com a ideia de que era apenas mais uma viagem com passagem comprada de volta. Eu fui, esperançosa, tranquila. Não fui preparada para vê-la, mas um acaso do destino me colocou dentro daquele quarto enorme, silencioso e barulhento, ao mesmo tempo. Fui porque devia cumprir uma promessa: a de estar ao seu lado nesse momento. As palavras saíram da minha boca ininterruptamente, sem roteiro. Eu falei sobre amor, sobre Deus e sobre o futuro. Peguei em uma mão gélida, de um corpo estático, era como interagir com uma imagem. E, disse: “Estou aqui, você não está sozinha”. As máquinas começaram a apitar, uma a uma. Eu fingia que não era nada. A esperança me fez de boba. Me apeguei em mínimos detalhes, eu te vi partir para não voltar nunca mais. Mas você me surpreendeu e invadiu os meus sonhos e me deu o abraço que faltou, aquele eu tanto esperei. Que saudade de você, minha mãezinha.

trinta e um

Oi, eu do futuro.

Ou eu do passado.

Ou eu do presente.

Feliz aniversário, fia.

O legal de escrever é poder eternizar um momento, como ainda não inventaram uma máquina do tempo eu viajo enquanto escrevo, deixo mensagens para a posteridade.

Enquanto eu escrevo isso ainda tenho 30. Mas em, mais ou menos, uma semana completo 31.

Que viagem doida! Tenho bem marcado na minha lembrança aquele maio frio em que eu fiz 4 anos: o primeiro aniversário que gravei na memória, o primeiro aniversário que me fez entender o que era “fazer aniversário”.

Na minha viagem do tempo, eu pulo para os treze anos, que idade feliz! Naquela época, quem tinha 30 parecia tão velho… e agora quem tem 40 parece tão jovem. E, não é porque o pessoal descobriu uma fonte da juventude, mas sim porque o meu olhar agora enxerga de outro ângulo.

Eu adoraria contar para a minha versão 3.1 que a gente realizou todos os sonhos de antes dos 30, mas não foi bem isso que aconteceu. A vida girou mais que aquele “chapéu mexicano” que a gente viu quando era criança, só que dessa vez a gente tava lá no meio girando e a vida nos virou do avesso, no mínimo, umas três vezes. E vou te contar: foi doido! E foi doído também. Fomos do fim do poço ao começo dele diversas vezes. E se fazer trinta já causa uma crise existencial normalmente, imagina fazer 30 no meio de uma pandemia mundial, enfrentando desemprego, doenças na família. Eu não gosto de xingar, mas puta que o pariu, que fase!

Agora as coisas acalmaram um pouco. E um pouco é melhor que nada.

Eu queria falar para o meu eu que vivemos o nosso sonho americano: que a gente está caminhando em um bairro com as casinhas todas parecidas, que estamos em Nova Iorque com nosso café nas mãos enquanto esperamos por um táxi amarelo, mas continuamos na mesma cidade, vendo as mesmas casas, os mesmos rostos e a mesma seringueira que é cartão postal da cidade.

Porém agora sinto que algo mudou dentro de mim e não é comodismo, juro, mas aprendi a amar viver onde vivo e conhecer cada pedacinho daqui, mas ainda assim, me surpreender no pequenos detalhes cotidianos que uma pequena cidade traz: conhecer todo mundo, poder observar o pôr do sol com calma, tomar o melhor sorvete da face da terra!

E, apesar de um monte de sonhos terem se embolado no meio do caminho, outros tantos desenrolaram e se tornaram reais. Além disso, outras coisas que saíram totalmente do script que eu pré-estabeleci foram incríveis!

Não estou no meu melhor momento, mas hoje eu sei e entendo que esses momentos desafiadores também fazem parte da vida. Então me permito ficar triste e brava quando algo não está bem. E me permito também sorrir e ser grata pelos pequenos momentos de felicidade do cotidiano.

E eu repito como um mantra: “é só um momento ruim, não um dia ruim.”

Fazer trinta e um anos me fez perceber os pequenos milagres que ficam escondidos enquanto a gente espera os grandes.

Esse post está meio atrasado, mas o que vale é a intenção, né? kkkk Comecei a escrever com trinta e terminei com quase 31 anos e 1 mês. (:

A linda convidada parte I

A festa

Em um subúrbio de uma grande cidade vive Loren, uma mulher madura, digamos assim, os números de vida chegam próximos do 50, mas ela não conta a idade oficial para ninguém.

Loren mora sozinha, mas não vive desacompanhada. A vantagem de morar sozinha é que pode fazer festas quando quiser, a desvantagem é que todos têm de ir embora em algum momento.

No último sábado, a solidão cresceu dentro da velha casa de madeira. E ficou tão grande que parecia não sobrar espaço para a própria Loren, que começou a sentir o coração palpitar, as mãos suarem, uma dor no peito… Doutor Monteiro receitara ansiolíticos, mas ela tinha um remédio melhor. Como acabar com a solidão? Enchendo a casa de gente.

Decidiu fazer uma festa. Chamou alguns homens jovens e bonitos da vizinhança. Mas as coisas saíram do controle, cada convidado levou ao menos mais um convidado e logo a casa encheu-se de pessoas desconhecidas.

Dentre vários rostos estranhos, um se destacava: o de uma moça linda, de feições delicadas, olhos grandes, a boca parecia um coração. Ela olhava para todos os lados, passa por Loren e, pergunta:

— Oi, me disseram que o Tadeu estaria aqui. Você sabe onde ele está?

— Vi ele indo ao banheiro, não faz muito tempo.

— Obrigada. Você pode me dizer onde é o banheiro?

— Claro. Desça as escadas e vire à esquerda, você vai ver uma porta azul. Lá é o banheiro.

— Muito obrigada. — Diz a moça enquanto passa algumas mexas do cabelo atrás do cabelo.

Ela parecia preocupada, mas Loren ignorou-a.

Passaram alguns minutos e a moça sai da casa, sem o Tadeu. Ela passa constrangida no meio daquela multidão de gente esquisita.

Loren acompanha cada passo daquela moça até ela chegar ao portão da casa. Repentinamente a bela desconhecida olha para trás e seus olhos se cruzam com o de Loren. Aqueles olhos castanhos escuros e marejados seria uma visão da qual Loren jamais esqueceria.

Tadeu vem logo em seguida, com os cabelos pretos caindo sobre os olhos enraivecidos, um cigarro recém aceso e a face enrubescida. Ele passa empurrando as pessoas com seu corpo forte. Ele se vira e olha para Loren mas sem prestar muita atenção em quem estava ao redor.

Tadeu sai e bate o portão com força.

Todos estão alheios ao que está acontecendo e Loren decide se juntar a eles não dando importância as cenas que havia presenciado.

Nem ela, nem qualquer outro convidado daquela festa, imaginava o que estava aconteceria nos próximos dias.

Solidão

Sasha Freemind, via: Unsplash

Uma vez eu me perguntei porque eu era tão sozinha.

Mas o que eu sentia não era a falta de ter pessoas ao meu redor, mas sim de me sentir sozinha nas multidões. Não sentir que eu me pertencia aquele grupo de pessoas.

E como eu queria isso!

Como eu queria pertencer há alguma coisa.

Foi por me sentir sozinha demais e, por sentir que ninguém queria me ouvir que eu comecei a escrever.

As palavras me deram voz, mas elas não saiam da minha boca e sim foram transcritas viraram grafite e tinta de caneta.

Foram as palavras que me deram o que eu mais queria: amigos. Os meus amigos imaginários eram os meus personagens.

Apesar de eu me sentir sozinha eu nunca estive. Eu tinha alguém por mim. Alguém que me dava força, que se preocupava comigo e que me enxergava quando para todo o resto eu era invisível.

Essa pessoa abriu a janela e me fez sair quando eu queria virar um móvel da sala.

Essa pessoa fez isso por mim várias vezes.

Mas agora eu sinto ela cada vez mais longe e mais frágil.

E agora eu me sinto cada vez menor e menor, e menor, sinto que um dia desses eu vou descer pelo ralo.

E quem vai me enxergar? Quem vai me resgatar?

Agora eu realmente estou sozinha. Um pontinho de solitário escondido em uma multidão egocêntrica.

O tempo

Sentada no meio de uma sala

eu achava que tinha o superpoder de

mexer os ponteiros do relógio

e fazer o tempo passar mais rápido

para chegar logo a hora de ir embora

O tempo passou

e, foi tão rápido que não deu tempo de acompanhar

quando eu vi já era hoje

e quando eu percebia o hoje era ontem

e o amanhã ficou mais rápido do que o piscar de olhos

Agora eu queria ter um novo superpoder:

o de parar os ponteiros do relógio

e viver em câmera lenta

mas os ponteiros correm tão rápido

que não dá tempo nem para respirar

só suspirar

E assistir o tempo passar

enquanto eu perco tempo

escolhendo alguma coisa boa

para assistir na televisão

Lugar seguro

O lugar seguro já esteve em um quintal cheio árvores, já esteve em um cantinho do sofá e já esteve dentro de um quarto tocando uma música triste do início dos anos 2000.

E, agora onde está o lugar seguro?

Lá fora está um caos e aqui dentro também.

O barulho do mundo ecoa tão alto que as minhas palavras se desmancham e caem ao chão, pequenininhas, elas não tem força para enfrentar um som tão alto.

Parece que uma boa música tocando no fone de ouvido já não é mais o suficiente.

Parece que um dia ensolarado perdeu o seu encanto…

As vezes eu espio a lua por uma fresta da persiana ela parece tão linda e iluminada mas parece que ninguém consegue mais enxergá-la.

Olho para o mundo e ele parece o mesmo do jeitinho que deixei quando fechei a porta da minha casa. Mas muita coisa mudou enquanto eu fazia mais uma receita de bolo.

Desliguei a televisão porque já não trazia boas notícias. E tentei ignorar que existia um mundo lá fora e tentei inventar um mundo aqui dentro. Não deu certo porque eu tenho dificuldade em manter as coisas em ordem por muito tempo.

Tomei um banho para que as lágrimas se confundissem com a água que caia e sufocassem a dor que vinha de dentro.

Eu tentei correr e procurar um novo lugar seguro. Mas o lugar seguro deixou de existir, o novo normal engoliu ele.

O novo normal é um desespero. É medo. É incapacidade.

Nunca desejei tanto que um fim se aproximasse.

De repente 30

Quando o filme De repente 30 foi lançado, em 2004, eu tinha 13 anos, assim como a Jenna Rink (fase adolescente). E, assim que eu assisti ele já se tornou o meu filme favorito (decorei todas as cenas e falas haha). Eu ficava imaginando como seria ter a tal idade do sucesso “thirty and flirty and thriving”.

Não teve mágica, mas assim como no filme, o tempo passou voando! Parece mesmo que eu dormi com 13 e acordei com 30 .

Eu tenho uma imaginação bem fértil, mas jamais imaginei que completaria os 30 anos em um momento histórico, e preferia não ter essa experiência. (risos)

Tive muitas crises de ansiedade no ano passado. E, assim como muita gente enfrentei coisas muitos difíceis e me deu vontade de desistir de tudo várias vezes. Mas respirei fundo e pedi muito discernimento para Deus. Quando esse ano começou, prometi para mim tentar manter a calma (está difícil, mas sigo tentando). Espero que ano que vem estejamos livres desse vírus (ou pelo menos vacinados).

Agora eu sou uma mulher balzaquiana!

Balzac disse que: “os 30 anos é o ápice poético da vida das mulheres.”

Espero que os meus 30 sejam cheios de poesia.

Na semana passada, comemorei com a minha família a chegada dos 30. E o meu maior presente foi ter a minha mãe e o meu pai aqui comigo, porque foi o que eu mais desejei nos últimos tempos. Para mim, ter a minha família unida já é ser bem sucedida. Então, com muita gratidão chego na esperada “idade do sucesso”.

Ah, sim. Só para variar fiz um “Playlist de aniversário” , Se quiser ouvir:

A despedida tem o som de uma gargalhada

Hoje ela acordou, como todos os 22630 dias desde que se lembra. Ligou para os filhos, para os netos. Perguntou como todos estavam. “Estamos bem, vó. Não se preocupe”.

Preparou o café da manhã e tomou sozinha.  Olhou para aquela mesa enorme e achou um exagero tanta fartura para uma pessoa só. Ali na solidão, o vazio fazia eco.

Decidiu ir ao salão de beleza. Pintou o cabelo, fez as unhas. Deu risada e fez todos rirem com a sua forma peculiar de transformar as tragédias cotidianas em pequenos shows de stand up.

Começa a sentir um mal estar e decidi passar em uma unidade de saúde. Tudo ok, o médico diz.

Decidiu caminhar. Tentando respirar um pouco de ar puro, se é que alguém consegue respirar com uma maldita máscara de pano cobrindo nariz e boca.

Passou na frente da casa de uma vizinha:

— Ei, Dona Maria, tem abacate aí?

— Tem sim, vizinha.

— Volto aí, outro dia, mas só por interesse no abacate, não é para te ver, não.

As duas caem na gargalhada.  A gargalhada dela sempre foi a sua marca registrada, era tão alta que dava para ouvir de longe.

Ela chega em casa, feliz por finalmente poder arrancar a mascara do rosto. Deixa os sapatos na porta da frente, conversa com os cachorros e entra.

Tira uma carne para descongelar. Toma banho. Liga para a cunhada e as duas conversam por um bom tempo.

“Até mais”.

Os telefones são desligados.

Volta para a cozinha para preparar o jantar, quando abruptamente sente uma forte dor no peito. Pega a chave do carro e corre para a porta da saída, mas antes de conseguir abrir a porta, cai no chão e ali fica até o dia seguinte.

Vozes familiares gritam por seu nome.

Silêncio.

Mãos batem vigorosamente nas portas e janelas.

Silêncio.

Alguém chega com uma cópia da chave da casa. Gira e entra.

O corpo, com unhas e cabelos tingidos repousa no chão gelado da cozinha.

A carne dentro da pia descongelou. O jantar sequer começou a ser preparado.

O abacate continuou esperando para que alguém fosse buscá-lo.

As promessas de visitas pós-pandemia não poderão ser cumpridas.

Um poeta disse que as pessoas não morrem, ficam encantadas.

Em algum lugar do céu os anjos podem ouvir suas gargalhadas.

Até breve, tia Jacira.

Lá no alto

não consegui encontrar o dono dessa foto, caso você saiba quem é, entre em contato.

Eu quero subir até o lugar mais alto da cidade, tão alto que sentirei o maior dos frios na barriga.

E quando eu chegar lá quero sentar e observar todas as luzes da cidade e lá de cima eu quero olhar e ver a pequenez de quem se sente tão grande e constatar a minha própria pequenez.

Quero respirar bem fundo e sentir o vento refrescar a minha face. O mesmo vento que embaraça os meus cabelos e me faz sentir acariciada.

Quero parar o bater dos relógios e sentir. Só sentir. Sem pressa, sem medos…

Eu quero gritar até as minhas cordas vocais travarem e ficarem pouco a pouco abafadas na escuridão dessa sexta-feira.

Quero jogar para o alto e picar em mil pedaços velhas mentiras guardadas no fundo do meu peito. Quero ver cada uma dissipando e se perdendo e, se misturando a poeira que vem da estrada.