O medo faz ver coisas!

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Dedel, 4 anos e 10 meses em: O medo faz ver as coisas.

Cheguei em casa à noite com a mamãe e o papai. Era começo de julho e estava frio, ventando bastante. Entrei em casa correndo para o meu quarto para pegar um brinquedo.

Eis que levo um susto: na porta do meu quarto tinha uma rã! Parecia seca, devia estar morta.

Enchi o peito de coragem e fiz o que qualquer garoto da minha idade faria em uma situação de perigo: chamei minha mãe!

— Mãaaaaaae! Tem uma rã morta na porta do meu quarto.

Mamãe veio com calma e ao olhar para a rã deu risada. Me pegou no colo e pediu que eu pegasse a rã na mão. Eu saí correndo!

Mamãe acendeu a luz e me mostrou que a rã na verdade era uma folha seca que, com a ventania, entrou em casa.

— Ah, mãe é só uma folha! É que tava escuro e eu senti medo. O medo faz a gente imaginar as coisas, eu olhei para a folha e vi uma rã, mas não era não, era só minha cabeça que tava imaginando.

— Isso mesmo, filho. Quem te ensinou isso?

— Ah, mãe, isso eu aprendi sozinho. — (Leonino sendo leonino :p)

Não sei ser sexy

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Sempre admirei as femme fatale dos filmes. Sempre quis ser uma delas. Uma mulher forte, linda,sedutora, independente e muito, muito má com os homens.

Uma maquiagem bem marcada. Uma bolsa pequena transbordando de mentiras. Um corpo escultural dentro de um vestidinho justo.

Mas conforme eu fui crescendo percebi o quanto as femme fatale se afastam totalmente da minha personalidade. De quem eu sou. E do que eu quero ser.

Eu não gosto de jogos do amor. Não gosto de mentir. E também não gosto de fingir ser alguém que não sou.

E, apesar da ideia de fazer joguinhos seja excitante, não combina em nada comigo.

Não gosto de ter que fingir que não me importo só para o cara me ligar no dia seguinte.

Nem acho que tenho que “pisar” em ninguém para ser valorizada.

Pode até parecer que sou boba. Mas simplesmente não consigo fingir ser aquilo que não sou. As pessoas dizem que minto mal e não é que elas tem razão?!

A verdade é que é um saco esses jogos de relacionamento, e eu gosto mesmo é de transparência. Eu gosto de saber todas as intenções das pessoas comigo e de transparecer aquilo que sinto. De dizer que o castanho do olho dele é lindo e eu podia ficar olhando para ele o dia inteiro; Que quando ele sorri parece que uma constelação iluminou o meu rosto. Que quando ele fala o meu coração parece que vai sair pela boca. E que quando ele abraça forte, eu sinto que ali é o lugar mais seguro do mundo.

Eu não sei quem foi o tolo que inventou que o amor precisa ser um tabuleiro e que as pessoas são as peças do jogo.

O amor não é um jogo. É um propósito.

É muito fácil ficar com joguinhos, ser desonesto com o outro, ficar “fazendo pose” o tempo inteiro e depois reclamar que o amor não existe e que você não nasceu para amar nem ser amado.

Jogar pode ser divertido no começo mas uma hora cansa. E uma coisa que podia ser muito legal acaba se tornando algo chato e repetitivo.

No dia que a gente para de teorizar o amor perfeito e passa a simplificá-lo, percebemos quanto tempo perdemos com joguinhos bobos que era só um atestado de egos.

Não, a gente não tem que fazer ninguém sofrer para que a pessoa nos valorize.

A pessoa vai valorizar mesmo o tempo que parece voar quando está com você. O pote de sorvete dividido, um filme ou série na Netflix e tantos outros clichês que fazem as pessoas invejarem um casal de apaixonados.

Se a pessoa não valorizar o bem que eu fiz para ela isso significa que ela não está preparada para o amor que eu tenho para oferecer. E se eu não consigo valorizar o amor que eu recebo é porque talvez eu ainda não esteja preparada emocionalmente para alguém tão especial.  Porque às vezes o amor está preparado pra gente mas a gente não está preparado pra ele e vice-versa.

Não precisa se machucar. Não precisa machucar. É só viver todas as experiências  que o amor tem a oferecer. E deixar o amor amadurecer… sem jogos e sem trapaças.

Xeque-mate!

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Você é um jogador nato!

E eu entrei nesse jogo sem saber que estava entrando.

Me envolvi. Me deixei levar pelas suas estratégias.  Até que em algum momento eu percebi que eu não merecia ser só mais uma peça do seu tabuleiro.

Diferente das outras vezes, eu tomei conta da situação. Não sou mais simplesmente um acessório do jogo, agora estou jogando ele.

Mas como eu não gosto de perder tempo com joguinhos bobos dou a jogada final: xeque-mate para você, meu bem!

Continue por aí escolhendo as peças desse seu jogo sujo que não levará ninguém a lugar nenhum, continue trapaceando, brinque com os sentimentos dos outros. Hoje você é o jogador amanhã será só mais uma peça do seu próprio jogo.

O melhor do ano

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Em 2011 tive umas experiências complicadas de vida, que desestabilizaram o meu equilíbrio emocional.
Depois de várias noites sem dormir direito, pedi para Deus que me confortasse, que aliviasse o meu desespero. Pela primeira vez na vida li a Bíblia de verdade. E foi difícil interpretar a mensagem de Deus para mim, mas finalmente compreendi que: Tudo tem começo, meio e fim. E, algumas coisas precisam ter fim para que outras novas possam surgir.
Encarei os problemas como um meio que chegaria a um fim para depois vir um novo começo. Que meu coração sonhador torcia para ser bom.
Depois disso, aprendi a valorizar a vida e agradecer pelos dias bons e ruins. O que é bom vira memória e o que é ruim, experiência.
De lá para cá, os anos passaram. Cheio de coisas boas e ruins também.
Chegou 2017. E, eu que achei que depois de 2011/2012 eu estava forte para enfrentar qualquer situação, só que não. Me vi estressada, frustrada, desvalorizada e decepcionada. O meu corpo reagiu e eu fiquei muito doente.
Tive que procurar um nutricionista e fazer academia. Logo eu que sempre achei tudo isso fútil. Mas não é. E mais uma vez a vida me ensina que as certezas podem se tornar incertas a qualquer momento.
2017 está chegando ao fim. E, mesmo com todas as dificuldades que tive esse ano, sinto um apertinho no coração por ele estar acabando.
Foi um ano em que ri na mesma proporção em que chorei. Tive realização de sonhos. Ajudei pessoas. Conheci gente legal. Cuidei da minha saúde. E, sim, apesar de tudo, fui feliz.
Eu digo que esse foi meu ano “Montanha-russa” , entre subidas e descidas malucas.
Se for para colocar no pódio qual foi o “melhor do ano”, com certeza, escolho uma palestra com um professor incrível que tive no começo desse ano sobre Neurodidática. Fiquei apaixonada com a aula dele e aprendi coisas que levarei pelo resto da vida.
Como tentar fortalecer as experiências positivas e não as negativas. O caminho é lento, mas estou tentando  agradecer mais do que reclamar. Porque a reclamação vira mania e parece que quanto mais reclamamos mais motivos para reclamar vão surgindo. E quando agradecemos mais motivos para agradecer surgem.                        O legal da ideia de ter um ano novo é poder renovar as esperanças. É tipo o final de uma temporada da nossa série preferida. É ansiar pelo novo e torcer para que que as coisas comecem/voltem a dar certo.
Agora tô aqui ouvindo Coldplay e imaginando mais um fim de temporada nessa minha vida louca. Tô curtindo a paisagem e agradecendo ao universo por estar mais um ano por aqui, entre ganhos e perdas, aprendendo a cada dia como me tornar alguém melhor para o mundo. E que venha a nova temporada.

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Calendário de Advento da vida real

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Oi, gente.

Como eu disse, no post de ontem (que acabou aparecendo com a data de hoje, porque postei 23:59), aqui em casa (e no blog) estamos fazendo o calendário de advento  e o Blogmas.

O calendário que usei de inspiração foi esse aqui. Mas como vocês podem observar, não deu muito certo haahahahah

Mas a mensagem que quero deixar para quem é mãe é que: por mais feinho que esteja e mesmo que você, assim como eu, não tenha habilidades artistícas, seu filho vai amar, porque o importante é a intenção, não é mesmo?

Então, a sua vida materna não precisa ser igual aquelas que você no pinterest. Aproveite as ideias que tem lá e traga-as para a sua realidade. E, mesmo que não fique igual ou parecido, você se esforçou e quem sabe um dia, com mais experiência você (e eu também) consiga melhorar. Torceremos.

Lá tem o passo a passo de como fazer e até sugestões das atividades e até sugestões de presentes para colocar dentro de cada dia. Só que está em inglês, mas nada que um Google Translate não resolva. 😉

No meu não coloquei presentes, optei por colocar algumas atividades/ações. Mas mostro pra vocês amanhã, ok? Finais de semana aqui são uma loucura e estou escondida fazendo esse post. #maesentendem hahah

Então, até amanhã.

Música natalina do dia: Natal todo dia – Roupa Nova

Blogmas e Calendário de advento

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Olá, queridos e queridas!!!

O melhor mês do ano chegou: o mês do Natal e das minhas férias. (Dezembro, você não sabe o quanto te esperei!)

Bem, vi no grupo do Facebook, Vai um Café, a ideia de posts diários, tipo BEDA, só que em Dezembro.

Dei uma pesquisada no Google e, pelo que eu entendi, é tipo um calendário de advento. Dessa forma, os posts iniciam no dia 1º e terminam no dia 24.

Isso significa que terá post todos os dias??? Maybe. É difícil saber se conseguirei, mas vou tentar. ♥

No ano passado, eu vi no blog Casa com amor (blog mais lindo do mundo da maternidade,sério, visitem) e fiquei encantada com os calendários de advento e as atividade que a Lahna faz com seus filhos no Natal.

Decidi que esse ano, faria com o Dedel.

Mas só para variar deixei tudo para a última hora e, não saiu bem como eu planejava.

1º Porque, como eu já disse deixei tudo para a última hora. Resumindo: acabou a cola, a impressora deu problema e o projeto não ficou tão bonitinho quanto deveria;

2º Porque sou uma negação com artesanato.

Mas ainda assim, fiz o calendário meio torto, esquisito, mas que conseguiu cumprir seu papel hoje (e, eu espero que aguente até o dia 24 haha #oremos).

No post de amanhã vou mostrar para vocês o meu calendário e explicar certinho como vai funcionar, ok?

Até amanhã. E bom Dezembro para todos.

Música de hoje: Vem chegando o Natal – Aline Barros ♥

Não fale mal de você mesmo

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aqui

Quando eu tinha uns doze anos, eu meio que conheci um cara.

Meio porque não conheci de verdade mesmo. Meio porque só conversei com ele uma vez e nunca mais o vi na vida.

Mas aquela conversa de algumas horas rendeu muito aprendizado.

Ele estava só. E tinha a cara tristonha. E eu sempre fui dessas que odeia ver pessoas tristes. Eu achei que — mesmo ele sendo um completo desconhecido — eu poderia ajudá-lo de alguma forma. Foi uma atitude perigosa, já que eu não o conhecia; e, eu era nova e ele era homem, bem mais velho.

Eu estava com uma amiga minha e começamos a puxar assunto com ele. Perguntei se ele estava bem. E, ele estava com um problema que acho que todo ser humano já passou, pelo menos, uma vez na vida: um coração partido.

Mas não esse não é mais um texto sobre amor e corações partidos, caro leitor.

É um texto sobre como uma menina de doze anos aprendeu com um desconhecido uma coisa que levaria para o resto de sua vida.

Conforme fomos conversando e ele contando sobre ele e sobre sua decepção amorosa, acabamos entrando em outros assuntos.

E eu brincando, comecei a falar sobre os meus defeitos.

Ele me disse que falar mal de si próprio era uma coisa errada.

Errada porque, segundo ele, quando falamos mal de nós mesmos damos força para que os outros falem mal de nós.

E depois reclamamos que os outros falam da gente. Mas quem expôs esse “defeito”, essa insegurança, fomos nós.

Eu fiquei dias pensando sobre isso e percebi que era verdade.

E, isso me remeteu à duas coisas:

1º A Clarice Lispector;

2º O filme Deixe-me entrar.

A Clarice, por causa daquela frase que diz :

“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso – nunca se sabe qual o defeito que sustenta o nosso edifício inteiro.”

E o filme, Deixe-me entrar, porque na história a personagem …. diz que só pode entrar na casa do menino se ele lhe der permissão. Por isso, ela pergunta para ele: — Deixe-me entrar?

Ou seja, você já parou para pensar que, muitas vezes, nós permitimos que as pessoas falem sobre nós?

Que ao expor nossas fragilidades podemos dar permissão aos outros que cutuquem ainda mais essa ferida que está aberta?

Não que devemos nos achar superiores aos outros e ignorar os nossos defeitos. Não é isso. É ter consciência de que somos imperfeitos sem precisar o tempo todo falar isso para as pessoas.

Falar mal de si vira assunto. É como falar do tempo e até mesmo falar de outras pessoas.

Tem gente que reclama muito dela mesma, se cobra demais. E, às vezes, espera que o outro o ajude a mudar aquele defeito. Mas essa mudança depende de nós e, apesar do conselho da outra pessoa poder ajudar quem deverá ter uma atitude para mudar somos nós mesmos.

Mas temos que ter duas atitudes diante os problemas: a primeira é tentar acabar com esse defeito e o segundo é aprender a conviver com ele.

Não que a gente tenha que ser super fechado e não se abrir com as outras pessoas. Podemos sim. Mas temos que tomar cuidado com as pessoas para quem contamos nossos defeitos, nossas fraquezas, nossos pontos fracos. Porque a pessoa pode se aproveitar para usar essa informação sobre nós um dia.

Então o conselho que fica é : cuidado ao exaltar seus defeitos para os outros. Lembre-se daquilo que os guardas falam nos filmes quando irão prender alguém: — Você tem o direito de permanecer calado, tudo o que disser pode ser usado contra você.

 

Por favor, vá!

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Imagem retirada do Pinterest

Você é daqueles tipos que chegam ser receber convite. Eu odeio perder o controle das coisas, eu odeio perder o controle de mim. E você insistiu tanto que conseguiu me desestabilizar.

Você me faz odiar ainda mais o inverno. Me faz pensar em coisas tristes, me traz decepção. E por mais que eu tente fugir de você, sempre perco a “luta”. Você tem o poder de me paralisar.

Eu tento te evitar e a cada vez você aparece o sentimento parece ficar ainda mais forte. Faz um favor: desiste de mim, vai.

Já parei de fazer coisas que eu amava só para não te ver mais…

Não espero a hora da primavera chegar que é pra ver se você desaparece de vez. Odeio essa gripe. Odeio estar gripada. Odeio sentir frio. Então, por favor, querido vírus da gripe vá logo embora!

 

O que me inspira?

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Desde que eu aprendi a escrever passei a rabiscar as últimas folhas do caderno para escrever sobre as coisas que eu observava no meu dia a dia. Em casa, sempre fui uma criança comunicativa, mas quando eu estava fora do meu porto seguro era extremamente quieta. Minha mãe dizia que eu quietava para poder observar tudo que estava em volta de mim, eu não deixava escapar nenhum detalhe: o olhar das pessoas, a forma como elas mexiam as sobrancelhas, como gesticulavam ao falar… Sem contar, é claro, no meu contato com a natureza. Eu era daquelas criancinhas doidinhas que conversava com as árvores (ótimas confidentes, por sinal). Então tudo que estava a minha volta era observado atentamente por mim.

Eu ainda não sabia, mas de certa forma ser observadora era o meu “laboratório”, era ali que eu encontrava subsídios para escrever os detalhes que meus textos exigiam.

No começo, eu escrevia para desabafar. Para falar dos meus sonhos e para me esconder de um mundo ruim que eu observava.

Eu escrevia sempre. Mas quando eu estava triste a inspiração parecia fluir.

Por muito tempo, pensei que a única forma de escrever bem era ficando triste. Com o tempo descobri que da mesma forma que não dá para ficar feliz por muito tempo não dá para ser triste o tempo todo (ainda bem).

E, foi preciso um esgotamento emocional para eu me descobrir outra pessoa. E essa nova pessoa descobriu que a tristeza era um mero detalhe, que a inspiração vinha de muitas outras coisas.

Vinha de uma música legal que eu ouvi na rua, de um livro que eu li ou de um filme bacana que eu assisti, de uma conversa com desconhecidos…

E, a partir daí, a felicidade passou a fazer parte do meu processo de inspiração.

Se antes eu só escrevia para desabafar hoje escrevo para compartilhar a minha alegria.

A inspiração está em todos os dias em todos os lugares. Mas tem dia que estamos mais propensos para percebê-las. E, cada dia o cotidiano pode nos tocar de uma forma diferente e inspiradora.

 

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A chave de parar o tempo

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*Se você for o dono dessa imagem, avise-me que darei os devidos créditos 😉

Essa noite eu tive um sonho estranho. O cenário era digno de filme. Eu estava deitada entre as flores de um jardim gigantesco.

Eu olhava para o céu. O dia estava bem ensolarado do jeito que eu gosto. Uma fresta de luz do sol, atravessava algumas nuvens que estavam no céu. Eu vestia o meu vestido florido de flores roxas, usava um colar com um pingente de “trevo de quatro folhas” e estava descalça. “Nossa, a quanto tempo eu não ficava descalça?” pensei eu. Passei os pés no chão e senti a terra entrando por entre os meus dedos e senti que arranquei alguma flor sem querer. O cheiro ali era maravilhoso: cheiro de terra, cheiro de flor, cheiro de vida.

Levanto e passando as mãos sobre os cabelos, sinto que algumas flores se enroscaram nos meus cachos. Sorrio. Eu me sentia bem ali e nem me importava muito com vaidades bobas. Fechei os olhos e respirei fundo. “Ar puro”que maravilha! Se realmente existe um paraíso, esse lugar chegava bem perto.

Fui me levantando devagar e fiquei parada por um tempo observando toda aquela cena. Era de uma beleza tão grande, que nem encontro palavras para descrevê-la.

Eu fiquei por um bom tempo ali sentada. Observando tudo ao redor.

Até que me parei pensando qual o motivo de eu estar ali. Provavelmente eu procurava uma evasão do mundo real. Um momento só meu. Um tempinho não fazendo nada, porém o nada significava muito.

Gosto de um tempinho, deitada no chão olhando para o céu, esses momentos me fazem refletir sobre alguns dilemas existenciais. O ruim de virar adulta é que esse tempo para não fazer nada é bem curto ou até mesmo inexistente. E vamos guardando tantas coisas dentro da gente e é difícil ficar sem tempo para explodir ou para pensar sobre as coisas com mais calma. Quando encontram tempo para o nada, os adultos geralmente substituem o céu azul (ou o estrelado) por um teto branco e sem graça. Tudo bem que não é a mesma coisa, mas ajuda assim mesmo.

Desde criança sempre fui muito curiosa. E sempre senti a necessidade de conhecer o mundo e de entender coisas que até então eram inexplicáveis. Por sorte, os adultos da minha família tinham paciência comigo e tentavam me ajudar a compreender melhor o lugar onde eu estava.

Criei muitas teorias, mas nenhuma concreta demais. Sou sonhadora e tenho costume de exagerar nas coisas. Desta forma, as minhas explicações eram bem fantasiosas (algumas ainda são).

Não sei porquê, mas senti que todos esses meus sentimentos e curiosidades me levaram até ali.

Eu levantei e fui caminhando com cuidado entre as flores. Vi uma pequena cabana, simples, feita de barro e coberta com palha. Cheguei bem pertinho da porta verde que tinha na frente da casa, joguei meu tronco levemente para frente e dei três batidinhas leves.

–Olá, tem alguém aí?

Pude ouvir passos lentos e arrastados se aproximando, dou espaço para que abram a porta.

Neste momento, vejo um homem de estatura bem baixa,  velho, encurvado e apoiado em um galho grosso de árvore que lhe servia como bengala. Ele tinha um cabelo branco e comprido e uma barba, também branca,  ia até a altura de seu peito.

Por um momento nos olhamos em silêncio. Antes que eu diga qualquer coisa ele, com sua voz frágil e rouca, diz:

— Olá, eu estava esperando por você. Entre!

Fiquei com um pouco de receio, confesso. Mas aquele homem me trazia tanta paz que acabei entrando sem questionar. Lá dentro ele começou a falar vários episódios da minha vida, coisas que só eu sabia. Se eu fiquei assustada? Muito!

— Como o senhor sabe disso?  — Falei com os olhos arregalados.

— Eu sei sobre bastante coisas , sabe? E você não é a primeira menina que chega aqui com tantas dúvidas.

Menina. Ah, como é difícil ouvir alguém me chamar assim…

Comecei a fazer um monte de perguntas e ele ouviu todas em silêncio. Eu perguntava, perguntava e nada. Ele continuou ali, estagnado. “Seria mais fácil conversar com uma estátua”- pensei.

Ele me olhou serenamente e sorriu, formando linhas profundas em volta dos olhos. E, calmamente, me respondeu  :

—  Não existem fórmulas. A maioria das que você já ouviu estão erradas. Aquelas que você inventou, para si e para os outros, estão erradas. Existem muitos mistérios que permeiam nossa existência. E alguns mistérios estão acima do que nos é permitido conhecer. Outras respostas que você tanto procura estão mais próximas do que imagina. Não há jeito certo ou errado de viver. Quer saber a chave de parar o tempo? Está dentro do seu coração.

*Musiquinha para ouvir depois de ler o texto: Clique aqui 🙂


P.s.: Esse texto está há um bom tempo guardado nos rascunhos e minha inspiração veio de um projeto que o meu amigo Lucas (Palhão) desenvolveu em seu blog, as “quartas-feiras criativas”. Que foi um projeto muito bacana e que eu adorei participar. Na época, não consegui desenvolver a história, mas ela ficou guardadinha, esperando o momento certo, em que eu tivesse segurança de postar. 🙂

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