E aí, menina.

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Ei, menina.

Você não tem jeito mesmo passam-se os anos e você continua sendo a mesma menina de sempre:

A dos olhos brilhantes,

dos vestidos florais

E do sorriso largo.

Não consigo acreditar que você ainda assiste os mesmos filmes e escuta todos os dias as mesmas playlists.

Você não muda mesmo!

Ou será que sou eu que só consigo ver as suas qualidades que fizeram o meu  coração bater mais forte cada vez que eu sabia mais sobre você?

 

Solidão a dois

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Pexels

Por mais que eu tente fugir, a solidão me persegue.

Eu era uma criança solitária, fui uma adolescente solitária e me tornei uma adulta solitária. E o vazio é tão grande que não deixa espaço pra mais nada entrar.

Eu não entendia porque eu gostava tanto de ficar sozinha, agora entendo que é porque eu tive que me acostumar com isso. Tive que aprender a sobreviver, a aprender que eu nasci só e morrerei da mesma forma.

As pessoas não mudam. Elas só fingem quando é conveniente.

Quando a tempestade acaba ninguém mais quer andar com guarda chuva, ainda que o céu escuro e nublado demonstre que ainda pode chover.

O amassado e o quebrado só pode ser consertado se a pessoa tem consciência do estrago que fez, mas alguns tem memória curta. Eu só queria acreditar que as pessoas podem  mudar e que segundas chances valem a pena.

Por enquanto eu não tenho certeza…

E já está se tornando doloroso viver com incertezas.

Eu teorizo demais, sei de menos.

Esses dias estão estranhos…

Resoluções de um ano novo

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Já apaguei todos os e-mails que não li durante esse ano.

Limpei minha conta bancária. Saldo: R$ 0,00

Esvaziei os guarda-roupas, tirei roupas que não usava há mais de dez anos.

Esvaziei os bolsos, esvaziei o coração.

Se é para começar um ano do 0, que seja do zero mesmo.

Escrevi. Escrevi muito. Mas é segredo, não quero que ninguém leia.

Apaguei textos antigos. Desapeguei de pessoas negativas (mas elas não desapegaram de mim, socorro! risos)

Chorei, tive raiva, sofri, cai (literalmente :p). Sorri, gargalhei, brinquei, dancei. Fui.

Uma pequena lista de muitas coisas que eu fiz. Geralmente, tenho como hobby a criação de listas que eu nunca sigo,seja ela de supermercado ou de metas para a vida.

Sentidos

eu

Ouvi um chuvisco no telhado

O canto do passarinho parecia um acalanto pra me fazer dormir

as nuvens do céu desenhando poesias

o vento levando embora os medos

e eu aqui no meio de tudo desfazendo as confusões que eu mesma criei.

a natureza faz parte de mim e no meu peito mora um universo inteiro

decifra-me

 

Para 2018: Silenciar?

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2017 foi um porre.

Não, não foi culpa do ano.  A culpa foi minha mesmo, eu assumo.

Sabe aqueles conselhos que a gente dá mas não segue? Então.

Eu sei que criar expectativas não é uma atitude muito inteligente, porque é uma coisa que foge do nosso controle. E tudo que foge do meu controle me deixa mal.

E 2017 foi expectativa de Janeiro a Dezembro, 365 dias de expectativa.

E a expectativa gera o que ? Ansiedade. E, só quem é ansioso sabe como isso é prejudicial para a saúde.

Você provavelmente já ouviu falar que quando você tem um plano, você deve ficar quieto para que ele dê certo. E eu sempre acreditei nisso, mas acabei fazendo totalmente ao contrário. Eu estava tão empolgada que falei pelos cotovelos. E, a gente sabe que nem todo mundo que é legal com você está ao seu lado e de fato torce por você.

Hoje é dia 21 de abril de 2018, e encontrei esse texto nos meus rascunhos e percebo como estou falhando na minha promessa de silenciar.

É complicado, é doloroso pois ao silenciar pode parecer que a gente consente com muitas coisas.

Mas o silêncio, que já foi meu aliado no passado, hoje é a minha maior dificuldade.

Hoje é dia 22 de dezembro de 2018 e eu sorrio ao encontrar mais uma vez esse rascunho no blog…

Sabe, muita coisa mudou desde que eu comecei a escrevê-lo. Inclusive desde de abril desse ano, que foi quando eu o “encontrei” e resolvi escrever nele de novo.

Eu ainda não tinha certeza, mas uns dias depois eu descobriria que eu estava grávida. Uma gravidez muito planejada e esperada.

E, poucos dias, depois da descoberta, na primeira ultrassom recebo um diagnóstico preocupante : um hematoma subcoriônico. Resumindo, é um descolamento ovular, um acumulo de sangue entre o que futuramente será uma placenta e o útero. Na mesma época, a Sabrina Satto estava com o mesmo problema e o caso dela era ainda mais grave porque ela teve sangramento e o descolamento era bem maior. Acompanhar a recuperação dela me trouxe esperança.

Mas, infelizmente, no mês de maio. Mês do Dia das Mães e do meu aniversário, eu recebi a notícia mais triste da minha vida: “o coraçãozinho do seu bebê parou de bater”.

Eu passei por todas as fases do luto.

Mas essa experiência triste me deu um chacoalhão. Algo precisava mudar. E assim eu fiz, comecei a organizar a minha vida financeira, profissional e pessoal. Cortei o cabelo porque eu precisava ver outra versão de mim no espelho.

Muita gente me perguntou: “como você conseguiu/está conseguindo passar por isso com tanta tranquilidade?” A verdade é que não teve tranquilidade. Foi profundamente triste e até hoje eu não consigo ver o ultrassom com ele morto sem chorar (por isso prefiro não ver mais). E, todos os dia 29 do mês eu fico triste, do nada, e quando eu vou ver a data descubro o porquê.

Porém, eu tinha que ficar bem. Porque eu tinha outro filho que precisava de mim.

E eu busquei formas de me ocupar. Até que eu descobri o que precisava ser feito: eu precisava falar.

Logo eu que jurei que esse seria o ano do silêncio.

Mas não foi. E apesar do silêncio ser muito importante, e eu ter silenciado de vez em quando,  falar foi essencial na minha recuperação.

E foi um processo complicado porque as pessoas não gostam de falar ou ouvir falar sobre o assunto. É tabu. Quantas vezes eu fui falar com alguém sobre isso e mudaram de assunto? Ou quantas vezes fingiram que não estavam ouvindo? Ou me falaram que eu não deveria estar falando sobre aquilo?

Mas falar foi a minha libertação. Falar sobre a minha dor com as outras pessoas fez com que eu me recuperasse. Porque a dor ela sempre é imensa, seja qual for o motivo dela, e a gente sempre tenta carregar ela sozinha porque falar sobre dor parece ser um pecado! E quando a gente guarda essa dor ela vai aumentando até ficar maior que a gente, tão grande que nos sufoca e é aí que vem a depressão que é quando a dor vence.

Eu fui convidada a fazer parte de um grupo de meninas que passaram ou estavam passando pelo mesmo que eu. E ali eu vi muitos casos parecidos. Mas estávamos todas ali prontas para ouvir e para desabafar também.

Com o tempo, falar sobre a minha perda se tornou algo natural para mim. Não deixou de ser triste, mas ficou menos pesado falar sobre isso.

E toda essa situação me fez olhar mais uma vez para mim, olhar para a minha vida e valorizar cada pormenor dela.

Eu olhei e mais uma vez tinha o meu copo em cima da mesa e ele tava meio cheio.

E eu falhei miseravelmente em silenciar esse ano, ainda bem porque foi isso que me salvou.

Não sei ser sexy

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Sempre admirei as femme fatale dos filmes. Sempre quis ser uma delas. Uma mulher forte, linda,sedutora, independente e muito, muito má com os homens.

Uma maquiagem bem marcada. Uma bolsa pequena transbordando de mentiras. Um corpo escultural dentro de um vestidinho justo.

Mas conforme eu fui crescendo percebi o quanto as femme fatale se afastam totalmente da minha personalidade. De quem eu sou. E do que eu quero ser.

Eu não gosto de jogos do amor. Não gosto de mentir. E também não gosto de fingir ser alguém que não sou.

E, apesar da ideia de fazer joguinhos seja excitante, não combina em nada comigo.

Não gosto de ter que fingir que não me importo só para o cara me ligar no dia seguinte.

Nem acho que tenho que “pisar” em ninguém para ser valorizada.

Pode até parecer que sou boba. Mas simplesmente não consigo fingir ser aquilo que não sou. As pessoas dizem que minto mal e não é que elas tem razão?!

A verdade é que é um saco esses jogos de relacionamento, e eu gosto mesmo é de transparência. Eu gosto de saber todas as intenções das pessoas comigo e de transparecer aquilo que sinto. De dizer que o castanho do olho dele é lindo e eu podia ficar olhando para ele o dia inteiro; Que quando ele sorri parece que uma constelação iluminou o meu rosto. Que quando ele fala o meu coração parece que vai sair pela boca. E que quando ele abraça forte, eu sinto que ali é o lugar mais seguro do mundo.

Eu não sei quem foi o tolo que inventou que o amor precisa ser um tabuleiro e que as pessoas são as peças do jogo.

O amor não é um jogo. É um propósito.

É muito fácil ficar com joguinhos, ser desonesto com o outro, ficar “fazendo pose” o tempo inteiro e depois reclamar que o amor não existe e que você não nasceu para amar nem ser amado.

Jogar pode ser divertido no começo mas uma hora cansa. E uma coisa que podia ser muito legal acaba se tornando algo chato e repetitivo.

No dia que a gente para de teorizar o amor perfeito e passa a simplificá-lo, percebemos quanto tempo perdemos com joguinhos bobos que era só um atestado de egos.

Não, a gente não tem que fazer ninguém sofrer para que a pessoa nos valorize.

A pessoa vai valorizar mesmo o tempo que parece voar quando está com você. O pote de sorvete dividido, um filme ou série na Netflix e tantos outros clichês que fazem as pessoas invejarem um casal de apaixonados.

Se a pessoa não valorizar o bem que eu fiz para ela isso significa que ela não está preparada para o amor que eu tenho para oferecer. E se eu não consigo valorizar o amor que eu recebo é porque talvez eu ainda não esteja preparada emocionalmente para alguém tão especial.  Porque às vezes o amor está preparado pra gente mas a gente não está preparado pra ele e vice-versa.

Não precisa se machucar. Não precisa machucar. É só viver todas as experiências  que o amor tem a oferecer. E deixar o amor amadurecer… sem jogos e sem trapaças.

Mulherão da porra

joh

Toda vez que eu me questiono sobre a pessoa que eu sou, acabo ficando com mais pontos de interrogação ainda.

Como é difícil a tarefa de (re)conhecimento.

Esse ano aconteceu uma porção de coisas…

Minha vida virou de ponta cabeça e quando eu tava começando a me acostumar com essa posição, ela deu um giro de 360° e voltou para o lugar original, eu fiquei tonta com esse giro, mas ele me proporcionou conhecer os dois lados da moeda e a aprender a me habituar com eles.

Quando esse ano iniciou eu prometi para mim mesma tentar dizer SIM para todas as oportunidades que surgissem. E foi (e está sendo) uma loucura. Eu disse muitos sim e levei um monte de não (das pessoas e da vida). Mas começar o ano com uma perspectiva positiva me fez passar com mais tranquilidade pelo que viria pela frente.

Esse ano desviei das tretas. As poucas vezes que me envolvi em algumas me arrependi profundamente. Preferi ficar na zona de conforto, em cima do muro do que brigando por coisas que não tenho o poder de modificar.  Resolvi me preservar. Talvez eu estivesse errada, mas foi a forma que encontrei de me proteger. Ficar exposto demais te deixa mais vulnerável. E eu já tenho inseguranças demais para aparecer tanto. No silêncio é onde eu encontro o melhor de mim.

Aconteceu tanta coisa esse ano e eu meio que fiquei anestesiada esse tempo todo. Como resultado de toda essa confusão encontrei dentro de mim uma pessoa desconhecida. Menos dramática, mais madura. Pela primeira vez na vida, em anos, me identifiquei como uma pessoa adulta, com a mulher que me tornei. Me olho no espelho e me vejo grande, forte e poderosa.

Tô meio anestesiada ainda no meio desse caos, mas aos poucos eu vejo uma luz bem pequeninha no fim do túnel. Me tornar essa nova mulher, esse “mulherão da porra” só me fez entender que eu posso mudar e me refazer um milhão de vezes mas sempre vou preservar dentro de mim a menina que me faz ter esperança em dias melhores. Que a menina e a mulher andam juntas em perfeita sintonia, quando as coisas apertam a mulher vem à tona trazendo a força da superação e a menina trazendo a leveza que meu coração precisa.