Não sei ser sexy

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Sempre admirei as femme fatale dos filmes. Sempre quis ser uma delas. Uma mulher forte, linda,sedutora, independente e muito, muito má com os homens.

Uma maquiagem bem marcada. Uma bolsa pequena transbordando de mentiras. Um corpo escultural dentro de um vestidinho justo.

Mas conforme eu fui crescendo percebi o quanto as femme fatale se afastam totalmente da minha personalidade. De quem eu sou. E do que eu quero ser.

Eu não gosto de jogos do amor. Não gosto de mentir. E também não gosto de fingir ser alguém que não sou.

E, apesar da ideia de fazer joguinhos seja excitante, não combina em nada comigo.

Não gosto de ter que fingir que não me importo só para o cara me ligar no dia seguinte.

Nem acho que tenho que “pisar” em ninguém para ser valorizada.

Pode até parecer que sou boba. Mas simplesmente não consigo fingir ser aquilo que não sou. As pessoas dizem que minto mal e não é que elas tem razão?!

A verdade é que é um saco esses jogos de relacionamento, e eu gosto mesmo é de transparência. Eu gosto de saber todas as intenções das pessoas comigo e de transparecer aquilo que sinto. De dizer que o castanho do olho dele é lindo e eu podia ficar olhando para ele o dia inteiro; Que quando ele sorri parece que uma constelação iluminou o meu rosto. Que quando ele fala o meu coração parece que vai sair pela boca. E que quando ele abraça forte, eu sinto que ali é o lugar mais seguro do mundo.

Eu não sei quem foi o tolo que inventou que o amor precisa ser um tabuleiro e que as pessoas são as peças do jogo.

O amor não é um jogo. É um propósito.

É muito fácil ficar com joguinhos, ser desonesto com o outro, ficar “fazendo pose” o tempo inteiro e depois reclamar que o amor não existe e que você não nasceu para amar nem ser amado.

Jogar pode ser divertido no começo mas uma hora cansa. E uma coisa que podia ser muito legal acaba se tornando algo chato e repetitivo.

No dia que a gente para de teorizar o amor perfeito e passa a simplificá-lo, percebemos quanto tempo perdemos com joguinhos bobos que era só um atestado de egos.

Não, a gente não tem que fazer ninguém sofrer para que a pessoa nos valorize.

A pessoa vai valorizar mesmo o tempo que parece voar quando está com você. O pote de sorvete dividido, um filme ou série na Netflix e tantos outros clichês que fazem as pessoas invejarem um casal de apaixonados.

Se a pessoa não valorizar o bem que eu fiz para ela isso significa que ela não está preparada para o amor que eu tenho para oferecer. E se eu não consigo valorizar o amor que eu recebo é porque talvez eu ainda não esteja preparada emocionalmente para alguém tão especial.  Porque às vezes o amor está preparado pra gente mas a gente não está preparado pra ele e vice-versa.

Não precisa se machucar. Não precisa machucar. É só viver todas as experiências  que o amor tem a oferecer. E deixar o amor amadurecer… sem jogos e sem trapaças.

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Mulherão da porra

joh

Toda vez que eu me questiono sobre a pessoa que eu sou, acabo ficando com mais pontos de interrogação ainda.

Como é difícil a tarefa de (re)conhecimento.

Esse ano aconteceu uma porção de coisas…

Minha vida virou de ponta cabeça e quando eu tava começando a me acostumar com essa posição, ela deu um giro de 360° e voltou para o lugar original, eu fiquei tonta com esse giro, mas ele me proporcionou conhecer os dois lados da moeda e a aprender a me habituar com eles.

Quando esse ano iniciou eu prometi para mim mesma tentar dizer SIM para todas as oportunidades que surgissem. E foi (e está sendo) uma loucura. Eu disse muitos sim e levei um monte de não (das pessoas e da vida). Mas começar o ano com uma perspectiva positiva me fez passar com mais tranquilidade pelo que viria pela frente.

Esse ano desviei das tretas. As poucas vezes que me envolvi em algumas me arrependi profundamente. Preferi ficar na zona de conforto, em cima do muro do que brigando por coisas que não tenho o poder de modificar.  Resolvi me preservar. Talvez eu estivesse errada, mas foi a forma que encontrei de me proteger. Ficar exposto demais te deixa mais vulnerável. E eu já tenho inseguranças demais para aparecer tanto. No silêncio é onde eu encontro o melhor de mim.

Aconteceu tanta coisa esse ano e eu meio que fiquei anestesiada esse tempo todo. Como resultado de toda essa confusão encontrei dentro de mim uma pessoa desconhecida. Menos dramática, mais madura. Pela primeira vez na vida, em anos, me identifiquei como uma pessoa adulta, com a mulher que me tornei. Me olho no espelho e me vejo grande, forte e poderosa.

Tô meio anestesiada ainda no meio desse caos, mas aos poucos eu vejo uma luz bem pequeninha no fim do túnel. Me tornar essa nova mulher, esse “mulherão da porra” só me fez entender que eu posso mudar e me refazer um milhão de vezes mas sempre vou preservar dentro de mim a menina que me faz ter esperança em dias melhores. Que a menina e a mulher andam juntas em perfeita sintonia, quando as coisas apertam a mulher vem à tona trazendo a força da superação e a menina trazendo a leveza que meu coração precisa.

O café acabou

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Tudo perdeu o sentido. A vida ficou monocromática. Esse é o outono mais frio da minha vida. O café acabou, as esperanças também .

Desenterrei aquele rádio antigo e os CDs, na prateleira, empoeirados. Procurei um CD que me animasse, não houve uma música capaz de reerguer o meu humor. Estava ouvindo uma música que nem lembro o nome, o cd riscou em uma parte que dizia : “parece que tem dias que até as músicas colaboram com a nosso estado de espírito”. Tá frio demais, eu não quero abrir a janela para deixar o frio entrar.

Dessa vez achei que seria diferente. Eu nunca canso de me decepcionar. Por acaso na minha testa está escrito: “Pelo amor de Deus, me engane!” Porque, se tiver quero tirar.

Embora eu deteste o frio, eu gosto do Outono. Pelo menos naqueles dias em que tudo parece meio alaranjado e o frio é ameno, em que não é necessário usar um monte de roupas, uma blusa fina de manga compridas já é suficiente. Mas esse Outono está com cara de inverno, eu tenho até medo da estação posterior.

Nesses dias frios, me lembro como é triste não ter uma companhia para me aquecer, embaixo do meu edredom azul, que tenho desde os nove anos de idade.

No verão não estava assim.

Naquele tempo eu tinha você. Naquele tempo a gente ocupava o mesmo lugar no mundo. Agora cada um ocupa a sua própria parte.

Talvez na primavera eu supere a falta que você me faz.

Para o meu pontinho cinza

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Enquanto todos estavam reclamando do preço das batatas, da falta de combustível e gritando para o presidente sair. Eu estava aqui. Entrando para a triste estatísticas das mães que sofrem de perda gestacional. Enquanto as pessoas, faziam filas para abastecer seus carros a preços abusivos. Eu estava em uma sala de ultrassom, torcendo para o médico ter errado e o coraçãozinho do meu bebe voltar a bater. E quando a greve acabou eu estava em um quarto de hospital esperando o momento de retirarem ele de dentro de mim.
Demorou para cair a ficha e ainda continua estranho. Aquela sensação de estranheza que a morte sempre nos traz…
Essas coisas parecem que só acontecem com a amiga da vizinha e nunca com a gente. Imaginem só, logo comigo, mãe de segunda viagem, com um histórico de gravidez e parto tranquilos!
Mas tem coisas que não dependem só da gente. O que me conforta é saber que eu fiz tudo o que estava ao meu alcance para que essa gravidez fosse a diante. Mas não foi. Não deu. E, por mais que a gente busque culpados nessas situações, não existem culpados. Não foi nervoso, não foi por esforço demais, não foi castigo divino, nem nada disso. Simplesmente não era pra ser, não dessa vez.
Esse sempre vai ser o filho que eu não tive, o choro que eu não ouvi, o semblante que eu não conheci e a risada que nunca vou saber como é. Nunca vou ouvir ele me chamar de mãe, ou dar os primeiros passos, nem espalhar brinquedos pela casa…
Dizem que os anjos não tem sexo, acho que é por isso que eu nunca vou saber qual era o dele.
E, agora dói muito, mas sei que essa dor vai ser amenizada. Já estou me conformando que agora também sou a mãe de um anjo. E, não tenho raiva de Deus, ou me sinto injustiçada. Me acho abençoada por ter carregado por dois meses um anjo dentro de mim. 👼 .

O caminho

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Às vezes, o caminho é longo e a subida é tortuosa.
Às vezes, você olha para o céu esperando que o tempo passe rápido e que o destino chegue logo.
Ter paciência na época em que tudo parece acontecer tão rápido é desafiante.
Mas a vida tem dessas: às vezes é correria e, em outras, calmaria.
E é necessário saber agir nas duas situações.
Mas todo aprendizado exige tempo e determinação.
Não tem como vencer sempre, mas desistir no meio do caminho é ignorar que na outra metade pode estar a vitória que a gente tanto almeja.
E, no final da contas, Deus nos mostra que por pior que pareça a caminhada, lá no final podemos nos deparar com uma paisagem tão incrível, que se algum dia alguém nos perguntar se foi difícil a caminhada, responderemos que foi sim , mas que, no fim das contas, a vista lá de cima recompensou todas os obstáculos que encontramos no caminho.

Porta – retratos

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Podem me chamar de louca, mas uma das coisas que mais gosto de fazer é ir na casa das pessoas e observar os portas-retratos.

Posso perder horas ali. Observando e admirando cada detalhe.

Amo fotografia porque é uma forma de congelar um momento, para que toda vez que dê saudades a gente possa matar, revendo as fotografias.
Quando escolhemos uma foto pra pôr nos portas – retratos elas sempre são as mais especiais, de momentos que nos fazem ter orgulho ou que nos fazem lembrar de fatos ou pessoas importantes nas nossas vidas.
Os portas – retratos com fotos de família são os meus preferidos, é tão lindo de ver. Acho que é porque lembro da minha família e como, apesar de todas as dificuldades, éramos felizes.
Hoje eu construo a minha família e tento fazer com que meu filho tenha boas lembranças da família dele também.
Ter uma família unida é ter um porto seguro, um lugar para voltar todas as vezes que as coisas ficam complicadas para enfrentar sozinho . Sou grata, todos os dias, por ter a oportunidade de ter vivido em duas famílias tão especiais, sou muito sortuda mesmo !

É amor demais. Amor que nem cabe em porta-retrato (mas que a gente tenta colocar assim mesmo).

As lições do meu passado

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We♥it

Refletir sobre o meu passado é como cutucar uma ferida. É admitir que eu não sou inteligente, forte e otimista o tempo todo. É mostrar ao mundo minhas cicatrizes. Mostrar que eu erro. E, que esses erros não acontecem somente de vez em quando, que eles acontecem muito mais do que eu gostaria.

Que apesar de eu me considerar um “ser humano não praticante” que eu sou muito praticante desse meu papel no mundo.

O Senhor Passado, me ensinou severamente, que a vida  não é uma linha reta. Não é um caminho, são escolhas. É uma encruzilhada.

Que as certezas de hoje são as incertezas do amanhã. Que nem sempre o que eu escrevo nas folhas finais do caderno irão se realizar.

Que uma lista de desejos pode não seguir uma ordem certa.

Que não adianta ouvir o Horóscopo de manhã e achar que tem todas as respostas ao final do dia.

Que os “amigos para sempre” se eternizam nas categorias de amigos do passado: amigos da escola, amigos da faculdade, amigos da maternidade…

O passado me ensinou que olhos mentem. Que bocas ofendem. Que promessas se perdem.

Eu aprendi com o meu passado que onde há fragilidade há uma força ainda maior que a supere.

Aprendi que somos bonecos de porcelana, que a vida é frágil, que qualquer simples acontecimento do dia a dia pode fazer com que a gente a perda.

Aprendi que o mundo é mais bonito se começamos a elogiar mais em vez de criticar.

Que sucesso é estar de bem consigo mesmo.

Que tudo bem se as coisas não acontecerem na velocidade de uma corrida de fórmula 1.

Que eu tô aqui vivendo, lentamente, aproveitando a paisagem pelo vidro do ônibus.

Que o silêncio é a mais importante de todas as palavras.

Que ficar triste, de vez em quando, faz bem. Porque nos abre os olhos.

Que uma coisa extremamente ruim pode me fazer evoluir (espiritualmente) como pessoa.

Que não importa se uma pessoa fala mentiras sobre você, o mais importante mesmo é o travesseiro estar leve ao dormir.

O passado me ensinou muitas coisas, mas uma das coisas mais marcantes foi a aprender a ser grata.

E, hoje eu tenho tanta gratidão com a minha história que eu considero que ser grata é mais importante que alcançar a famosa “felicidade”.

Porque se a gente é grato com tudo que nos acontece a felicidade vem de brinde!

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“Você não pode mudar o passado. Ele sempre foi. Ele sempre será. Mas eu ousaria dizer, você pode aprender alguma coisa com ele…”, frase do filme Alice através do espelho.

Coleguinhas que também fizeram um post com esse mesmo tema e que vale à pena conferir:

1-  Divergências Vitais (Bruna Aliatti)                                   2-  Carioca do Interior (Priscila Gonçalves)