Moça risonha

Quando ela passa não há quem olhe , tudo nela chama atenção. Os cabelos encaracolados, parecem pequenas molas brincando entre si. Seus olhos grandes e expressivos, desviam ao perceber que está sendo observada. Vive suspirando, como quem está apaixonada e de fato está: pela vida!  O sorriso, tímido, vez ou outra aparece, encantando ainda mais seus espectadores.

Adora pleonasmos, acha que a vida inteira é feita de muitas redundâncias. Ama vírgulas e odeia pontos finais, embora compreenda que, as vezes, eles são necessários.

Seu sorriso escancarado é sua marca registrada, quando ela sorri parece que o mundo inteiro sorri de volta.

Quem a vê assim, sorrindo a toa, não imagina o que essa moça já enfrentou. Quantas dores tentou resolver sozinha, em um cantinho escondido do jardim ou então em seu quarto, com a porta fechada, e com o rádio ligado no último para abafar o som de cada lágrima derramada, de cada grito guardado durante o dia.

De tanto cair, essa moça aprendeu a se levantar sozinha e a ser mais forte. Ela poderia deixar-se amargurar pela maldade alheia, mas decidiu que não. O mundo pode fazer de tudo para derrubá-la, e sabe o que ela vai fazer? Vai rir da cara dele! Porque foi assim que sempre resolveu seus problemas: com um belo sorriso no rosto. E até agora funcionou.

Decidiu não se contaminar com esse amargor que tem gente que insiste em alimentar. Não ela é doce demais para amargurar.  Decidiu não colecionar frustrações. O coração está aberto apenas para o que é bom.

Aprendeu que colocar nas costas de outrem a responsabilidade de fazê-la feliz é injusto, porque a felicidade é uma coisa que depende só dela, o outro tem que ser um motivo de felicidade e não o responsável por ela.

E hoje ela vive um dia de cada vez, o passado só é lembrado quando vale a pena e o futuro está longe demais pra se preocupar com ele.

E enquanto o tempo passa, ela anda distraída por aí, espalhando o que ela tem de melhor: seu lindo sorriso.

Uma ruga a cada história

Estou cansada, mas a insônia me impede de dormir. Qualquer ruído me deixa mais atenta: um galo “desregulado” que canta antes da meia-noite; um bêbado que atravessa a rua falando bobagens; o barulho da T.v do vizinho e é claro, ele, o irritante tic-tac do despertador florido, que repousa no criado mudo.

As horas passam, até que eu perca totalmente a noção do tempo. O corpo praticamente implora pra sair da cama de espinhos em que me encontro. Tento lutar contra isso, em vão.A mente não para de trabalhar e por mais que eu me esforce não consigo adormecer. Decido levantar, mas antes checo as horas: 03:00, como sempre.

Vou até o banheiro , jogo água no rosto várias vezes e, por alguns instantes, fito a minha imagem no espelho.

Olho no olho é o suficiente para que meu baú de memórias se abra. Recordo meus 24 anos em pouco mais de dez minutos, uma retrospectiva dos melhores momentos. Depois dessa viagem interior, percebo-me ali, sozinha, na madrugada de um dia quente, na frente de um espelho tentando decifrar-me. Inspeciono cada canto de minha face e dos meus cabelos castanhos escuros, percebo um filho único: meu primeiro fio de cabelo branco. Me assusta a ideia de que estou envelhecendo e sorrio, pois acho engraçado  estar refletindo sobre isso agora, tão jovem.

Os primeiros sinais da idade não se limitam apenas ao bendito fio. Ao sorrir meus olhos já marcam onde ficarão as linhas de expressão. Meu corpo, definitivamente,  já não é mais o mesmo.

Sempre me considerei uma garota madura, agora percebo que o exterior está ficando parecido com o interior : velho.

Por um momento, penso no que isso significa…

Estou envelhecendo, como será olhar para o meu rosto daqui a 10,20,30 anos? Será que eu vou gostar do que está refletido? Ou vou procurar o endereço do Dr. Rey e implorar pra que ele me deixe mais jovem?

Mas por que ou para que estou pensando nisso agora? Deve ser o sono querendo, finalmente, aparecer. Um ataque filosofal na madrugada ninguém merece!

Eu sou apaixonada por gente velha! Sério, acho muito fofo aqueles rostinhos enrugados. Mas e quando for eu , será que vou achar fofo também? Reflito por um instante e,  sinceramente, acho que sim!

Eu acho que o nosso corpo é como um livro, no princípio são só folhas em branco, até que alguém, através de palavras, dá vida à elas. Vejo cada linha de expressão, como as letras desse livro, cada uma delas conta uma história.  Por isso quanto mais velha a pessoa mais rugas ela têm.

Uma vez vi a história de uma mulher que passou anos sem rir, para não ter rugas. Achei uma história triste. Quantas vezes ela  teve que conter “aquela” gargalhada, para evitar sinais de idade em sua pele? Claro, que não posso (nem devo) julgá-la por isso, pois foi uma escolha dela. Mas não deixo de achar triste. Eu acho que não conseguiria viver assim. Porque eu sou aquela garota do riso frouxo, que ri até para os postes da rua. Acho que vou ser uma velhinha bem enrugada (risos).

Eu sou a autora da minha própria história,  espero viver muito ainda e ter rugas será inevitável. Elas serão a certeza de que chorei, que cantei, que dancei, que sofri e que sorri, que vivi!

E quantas aventuras ainda terei pela frente? Espero que muitas! Mas agora preciso dormir para ter coragem de alcançar todas elas. No relógio marcam 05:00 , ótimo tenho uma hora pra dormir. Boa noite.

Inspiração , cadê você?

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Te busco em livros, músicas , filmes…

Mas você? Desapareceu. Sinto saudades de quando andávamos juntas, você e eu, eu e você . Em todos os momentos me acompanhava : em uma viagem de ônibus, em um momento solitário (no banheiro, ou no meu quarto), mas faz tanto tempo que te procuro e tu não vens. Porque me abandonaste? Não fui uma boa menina?

Talvez  não tenham sido bons comigo, e você com medo,  fugiu!

Se eu pedir ao Papai Noel , será que ele traz você de volta? Volte, por favor, venha logo!

Preciso de inspiração, preciso voltar a escrever , a ler , a fotografar! Ai , que saudades de você inspiração, volte agora para o seu lugar.

 

OBS.: Desculpem pelo post bobo, é tudo culpa da inspiração, na verdade da falta dela. Tá difícil, viu?!

 

Beijos.