Pressa

casal-celular
Foto por:  người yêu

Hoje o som do relógio é silencioso. Nem Tic nem Tac.

O despertador não soa descontrolado, quase caindo do criado mudo.

Hoje é o celular apitando pelas notificações. São 105 canções diferentes para escolher como quer acordar. Em um toca Bethoven, no outro Mettalica.

Aqui dentro silêncio. Lá fora: loucura. Luzes, buzinas, músicas… O mundo não para, as pessoas não param.

Não há tempo para degustar um café da manhã na mesa, um pão quentinho da padaria.

Conversar, abraçar e beijar são analógicos nesse mundo digital.

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Mulherão da porra

joh

Toda vez que eu me questiono sobre a pessoa que eu sou, acabo ficando com mais pontos de interrogação ainda.

Como é difícil a tarefa de (re)conhecimento.

Esse ano aconteceu uma porção de coisas…

Minha vida virou de ponta cabeça e quando eu tava começando a me acostumar com essa posição, ela deu um giro de 360° e voltou para o lugar original, eu fiquei tonta com esse giro, mas ele me proporcionou conhecer os dois lados da moeda e a aprender a me habituar com eles.

Quando esse ano iniciou eu prometi para mim mesma tentar dizer SIM para todas as oportunidades que surgissem. E foi (e está sendo) uma loucura. Eu disse muitos sim e levei um monte de não (das pessoas e da vida). Mas começar o ano com uma perspectiva positiva me fez passar com mais tranquilidade pelo que viria pela frente.

Esse ano desviei das tretas. As poucas vezes que me envolvi em algumas me arrependi profundamente. Preferi ficar na zona de conforto, em cima do muro do que brigando por coisas que não tenho o poder de modificar.  Resolvi me preservar. Talvez eu estivesse errada, mas foi a forma que encontrei de me proteger. Ficar exposto demais te deixa mais vulnerável. E eu já tenho inseguranças demais para aparecer tanto. No silêncio é onde eu encontro o melhor de mim.

Aconteceu tanta coisa esse ano e eu meio que fiquei anestesiada esse tempo todo. Como resultado de toda essa confusão encontrei dentro de mim uma pessoa desconhecida. Menos dramática, mais madura. Pela primeira vez na vida, em anos, me identifiquei como uma pessoa adulta, com a mulher que me tornei. Me olho no espelho e me vejo grande, forte e poderosa.

Tô meio anestesiada ainda no meio desse caos, mas aos poucos eu vejo uma luz bem pequeninha no fim do túnel. Me tornar essa nova mulher, esse “mulherão da porra” só me fez entender que eu posso mudar e me refazer um milhão de vezes mas sempre vou preservar dentro de mim a menina que me faz ter esperança em dias melhores. Que a menina e a mulher andam juntas em perfeita sintonia, quando as coisas apertam a mulher vem à tona trazendo a força da superação e a menina trazendo a leveza que meu coração precisa.

Nada vai ser igual

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aqui

Já escrevi mil nomes na minha agenda mas nenhum deles combina tanto quanto o seu combinava do lado do meu.

Encarei uns 30 garotos hoje mas nenhum deles tinha o brilho que os seus olhos tinham ao olhar no meus.

Já perdi a conta de quantos sorrisos vi hoje mas nenhum deles fez com que eu ficasse com a cara de boba que eu ficava ao te ver sorrir.

Ouvi o barulho de umas cinquenta motociletas hoje, mas nenhuma delas fez o coração bater tão forte como aquele que eu sentia quando ouvia que era você que estava chegando.

Estou aqui tentando em vão achar alternativas, a ter esperanças de que eu ainda posso viver mil aventuras de amor que superem aquelas que tive com você.

Mas a cada dia me convenço que havia tanta singularidade no nosso relacionamento que vai ser difícil achar algo que supere, que seja melhor do que foi contigo.

E escrevo você em todos os meus textos porque tenho a esperança de que, se tornando um personagem de uma história fictícia, seja mais fácil apagar você da minha vida.

Já fiz você mocinho e vilão, já fiz bonito e feio, mas nada faz com que sua imagem saia da minha cabeça…

Na verdade eu sei que eu vou amar de novo. E sei que será bom. Mas sei também que nada nunca vai ser igual aquilo que era o “eu e você”.

 

Cinco anos depois

Texto publicado no meu outro blog (porque deu saudade de lá) :p

Tumblr

Este blog foi criado em meados de 2008/2009. Nessa época eu tinha 17/18 anos. Um dia me revoltei e apaguei todos os posts antigos.

Voltei a postar em 2010.

Olhando para os posts antigos, percebi quanta coisa mudou nesses cinco anos…

Como os posts mudaram, as ideias mudaram e, principalmente, como eu mudei.

Eu me esforcei para manter esse blog vivo. Mas alguma coisa fazia com que eu me prendesse ao passado por aqui. E algumas partes do meu passado me faziam sofrer.

Parei de postar.

Quantas e quantas vezes abri uma página em branco por aqui  e não tive inspiração para continuar a escrever…

A única coisa que via era um cursor piscando e algumas tímidas palavras que tentavam sair eram assassinadas pela tecla de apagar.

Reli posts antigos e me lembrei de fases pelas quais passei. Em alguns posts relatei minha infância: o bullying, as brincadeiras, as alegrias.

Se quiser continuar lendo: Clique aqui. ❤

Olhos brilhantes

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Despejei meia tonelada de sonhos na cabeça de quem não compreendia minhas vontades. Para quem não tinha coragem de se demorar ao fitar meus olhos que brilhavam.

Demorei para aceitar que a maldade existia e que o inferno pode ser encontrado em uma pessoa parada na esquina.

Disse palavras que não queria dizer, ouvi outras tantas que sempre odiei ouvir.

Corri pra bem longe jurando nunca mais olhar para trás, e olhei.

Contei meus segredos mais intímos para desconhecidos que não estavam nem aí para a minha história.

Ouvi músicas antigas e me vi viajando em memórias que eu nem sabia que existiam.

Coloquei nas minhas frases mais vírgulas do que elas necessitavam.

Senti medo e coragem ao mesmo tempo.

Os meus olhos se apagaram por um tempo. Vagaram. E era tudo escuridão e um vazio gigante tomou conta do meu peito.

Por um bom tempo eu me questionei se viver valia à pena e se eu tinha feito as escolhas certas.

Mas o bom de estar na escuridão é que nenhum tipo de luz, por menor que ela seja, passa despercebida.

E enquanto os meus olhos pararam de brilhar, encontrei um monte de olhos brilhando por aí.

Nem sempre eles brilhavam para mim. E mesmo assim iluminaram o meu caminho.

Porque olhos brilhantes tem esse poder de melhorar o dia da gente.

E de tanto ver olhos brilhantes os meus encontraram motivos para voltar a brilhar.