1/642 coisas sobre as quais escrever

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Ela é como um dia ensolarado. Como risada de bebê. Como flores no meio do nada. Ela é alta, tem cabelos de molinhas que se enroscam no meio das costas.

Tem um olho castanho, que brilham feito estrelas no céu.

Sua pele é branca no inverno e morena no verão. A sua voz é ritmada, calma parece até um acalanto.

Os cabelos pretos, envermelham com a luz do sol.

Tem um sorriso bonito e mais bonita ainda é a covinha que se forma quando ela ri. Os olhos riem juntos, o rosto todo se contrai para dar uma boa risada.

Ela é discreta. Na medida do possível. Gosta de festas, mas as troca facilmente por um pote de pipocas e um bom filme em uma cama confortável.

Tem medo de altura, mas adora se sentir no alto.

Gosta de dançar quando ninguém mais está vendo.

E cantar também, apesar de não ter dom nenhum para o canto e assustar os vizinhos durante as suas performances.

Ela não pode ver um bebezinho que já fica toda boba.

É apaixonada por animais. Gosta da natureza.

Ela é uma mistura de mocinha de comédia romântica com vilã de novela mexicana.

Ela é várias em uma só e ainda assim consegui ser única no mundo inteiro.


Esse post faz parte de um projeto de escrita criativa 642 coisas sobre as quais escrever. 

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Minha receita de sucesso

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Fiquei por dias pensando em qual seria a minha “receita de sucesso”.

Sucesso.

De acordo com o dicionário Aurélio, Sucesso significa:

s.m. Resultado feliz; êxito. / Acontecimento, fato, caso, ocorrência

Fiquei em dúvidas, porque nunca tinha parado para pensar, de fato ,sobre isso.

Depois de refletir e ler os textos que as minhas amigas blogueiras escreveram, cheguei a uma conclusão bem óbvia: sucesso é algo muito relativo.

Há aqueles que acham que ser bem sucedido é ter bastante grana, ter bens, participar de eventos chiques e estar no meio de pessoas importantes da sociedade.

Outros acham que ser bem sucedido é ser feliz com a vida, mesmo com poucos bens.

Eu acho que ser bem sucedido é um estado de espírito, é acreditar em si, saber fazer escolhas sabendo das consequências delas. É se perdoar por não acertar sempre. E valorizar tudo aquilo que já possui. É aquela história de enxergar o copo meio cheio e não meio vazio, sabe

Essa geração ostenta muito. E muitas pessoas sentem-se frustradas por não conseguirem alcançar o nível dos seus ídolos das redes sociais. (Eu também já me senti assim…)E acreditam que ser bem sucedido é viver aquele tipo de vida…

Apesar de ser tudo legal a vida do outro, aquilo que a gente enxerga é só a ponta do iceberg.

A gente não sabe o que acontece com aquela pessoa no dia a dia, quando ela está sozinha. Ou quando está em família. A grama do vizinho continua sendo mais verde, porque a gente passa tanto tempo tentando descobrir qual o segredo daquela grama ser daquele jeito que esquecemos de cuidar da nossa própria grama. E a grama acaba morrendo por falta de cuidados.

Ou seja, passamos tanto tento observando e desejando a vida do outro que esquecemos das nossas próprias vidas.

Por outro lado, as vezes a nossa grama está linda mas acabamos valorizando mais a do vizinho, porque temos tendência a sempre achar que as coisas dos outros são melhores do que as nossas.

Talvez o segredo número 1 do sucesso seja: Cuide dos seus sonhos e deixe de lado as conquistas dos outros. Fique feliz com o sucesso do próximo e lute para alcançar os seus próprios.

Para mim, ser bem sucedida é ter uma família, uma casa para voltar no final do dia. Ter amigos para conversar. Ter um emprego bacana que te faça ajudar as outras pessoas. É deitar no travesseiro todo dia e ser grato por ter tanto coisa legal acontecendo.

Ser bem sucedido é olhar para o que temos, mesmo que seja pouco no olhar dos outros e achar a nossa vida a mais incrível de todas. Porque a gente tá vivendo ela e se começarmos a colocar defeitos demais vai ficar difícil de aproveitá-la.

O sucesso tem que ser algo que você se sinta orgulho de ter conquistado. E, não precisa ser necessariamente dinheiro.

A minha receita do sucesso é valorizar tudo aquilo que eu tenho e lutar para conquistar aquilo que eu ainda acho que falta. E, por enquanto tem dado certo e eu me sinto muito orgulhosa da pessoa que eu me tornei e de tudo que conquistei até aqui.

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*Esse post fazia parte de uma blogagem coletiva do Projeto Vai um Café. Na época eu não consegui finalizar ele a tempo e ficou salvo como rascunho. Achei ele por aqui e achei um post legal para 2019.  Espero que tenham apreciado.

 

 

 

Tag: Felicidade é…

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Eu não lembro mais quem me marcou nessa tag :/

1. O que você gosta de fazer quando está sozinha?

De ler, ouvir música,escrever, olhar as redes sociais. E fazer coisas que não tenho muita coragem de fazer na frente das outras pessoas, tipo: dançar e cantar haahhaah

2. O que você gosta de fazer junto com outras pessoas (amigos, família ou namorado)?
De comer, de assistir um filme, ou sair para qualquer lugar.

3. Pequenas coisas que te faziam feliz na sua infância:
O bom de ser criança é que justamente as pequenas coisas nos fazem felizes. Eu era uma criança muito criativa e fantasiosa. Na minha casa tinha uma parreira de uvas bem bonita e eu amava brincar lá em baixo, era como se fosse uma cabana na floresta para mim. ♥

Gostava também de andar de bicicleta ( de olhos fechados para sentir o vento batendo no rosto. OBS.: Crianças não façam isso em casa, é um perigo (eu era uma criança maluquinha :p)

Amava observar a natureza e falar com as árvores :p

4. Uma coisa que te deixou feliz essa semana:
Que eu vou fazer uma viagem bem legal com a minha família. E, se planejar para isso tem sido bem especial.

5. Cite 3 coisas que te deixam muito feliz:

  • Feriados :p
  • Estar rodeada de pessoas que eu amo;
  • Estar em paz, comigo e com os outros.

6. Complete: Felicidade é…
Valorizar aquilo que já temos e se alegrar com o restante que vier.

7. Convide 3 pessoas para responder essa TAG:
Vou deixar livre para quem quiser responder. Fica aqui o meu convite. 🙂

Pressa

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Foto por:  người yêu

Hoje o som do relógio é silencioso. Nem Tic nem Tac.

O despertador não soa descontrolado, quase caindo do criado mudo.

Hoje é o celular apitando pelas notificações. São 105 canções diferentes para escolher como quer acordar. Em um toca Bethoven, no outro Mettalica.

Aqui dentro silêncio. Lá fora: loucura. Luzes, buzinas, músicas… O mundo não para, as pessoas não param.

Não há tempo para degustar um café da manhã na mesa, um pão quentinho da padaria.

Conversar, abraçar e beijar são analógicos nesse mundo digital.

O amor não é comodismo. É escolha.

Elderly couple in wheelchairs, holding hands

Os dois olhavam , se entreolhavam.

Na rua , alguns jovens passavam e nem notavam a presença deles. Ver toda aquela juventude lá fora sedenta por amor, aventura e diversão fez com que recordassem, com nostalgia, os momentos que haviam vivido. Os dois se olham com uma cumplicidade…

Quando fizeram os votos de casamento provavelmente não imaginariam como terminariam os seus dias. Sonhavam em ter um cachorro, uma dúzia de filhos, uma casa bem grande e muito dinheiro.

Juntos construíram um lar. Conseguiram ter o cachorro, cinco filhos e uma casa não tão grande como imaginavam. O dinheiro? Conseguiram o suficiente para não passar fome.Os filhos cresceram e depois vieram os netos. Os cabelos brancos começaram a surgir um a um até tomar conta dos poucos fios de cabelo fino que restaram.

Começaram a sentir debilidade ao andar. Primeiro foi ele e depois de um tempo ela. Foram necessários os cuidados de outros para coisas que antes eles faziam com a maior facilidade do mundo.

A vida começou a ser vista por outra perspectiva.

Aprenderam a valorizar ainda mais a presença um do outro. Descobriram que a coisa mais valiosa que conquistaram com o passar dos anos foi o amor. Um amor que não foi nenhum final feliz de comédia romântica. Teve briga, choro, grito, raiva, mas teve amor, risada, mãos dadas…

Pensavam ser uma pena a maturidade vir tão tarde. Se soubessem metade do que sabem agora poderiam ser muito mais felizes no passado.

Aprenderam que o amor não é comodismo. É escolha. É aprender a relevar os defeitos e aproveitar o melhor das qualidades. Aquela coisa avassaladora que chamamos de amor é só o início. Depois que o êxtase acaba, a realidade te mostra quem é na verdade a pessoa que você escolheu viver.

O amor forma laços, e não dá pra mentir : as vezes ele aperta. Sim, aperta. E não é porque deixou de ser amor. É porque um dos lados puxou com força demais. E, com o tempo, a paciência e a experiência os dois lados vão aprendendo a não segurar com tanta força.

Hoje a vida passa, devagar e os dias parecem não ter fim, mas poder olhar um para o outro renova as forças.

Eles não sabem quanto a vida ainda vai durar mas sabem que estarão um lado do outro quando um deles fecharem os olhos.

E, enquanto esse dia não chega, ficam ali juntos em uma calçada virada para a rua, de mãos dadas, vendo os dias passando devagar e a vida fugazmente.

O medo faz ver coisas!

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Dedel, 4 anos e 10 meses em: O medo faz ver as coisas.

Cheguei em casa à noite com a mamãe e o papai. Era começo de julho e estava frio, ventando bastante. Entrei em casa correndo para o meu quarto para pegar um brinquedo.

Eis que levo um susto: na porta do meu quarto tinha uma rã! Parecia seca, devia estar morta.

Enchi o peito de coragem e fiz o que qualquer garoto da minha idade faria em uma situação de perigo: chamei minha mãe!

— Mãaaaaaae! Tem uma rã morta na porta do meu quarto.

Mamãe veio com calma e ao olhar para a rã deu risada. Me pegou no colo e pediu que eu pegasse a rã na mão. Eu saí correndo!

Mamãe acendeu a luz e me mostrou que a rã na verdade era uma folha seca que, com a ventania, entrou em casa.

— Ah, mãe é só uma folha! É que tava escuro e eu senti medo. O medo faz a gente imaginar as coisas, eu olhei para a folha e vi uma rã, mas não era não, era só minha cabeça que tava imaginando.

— Isso mesmo, filho. Quem te ensinou isso?

— Ah, mãe, isso eu aprendi sozinho. — (Leonino sendo leonino :p)

1001 músicas {93 Million Miles – Jason Mraz}

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We♥It

Por algum motivo, eu podia ver além daquele horizonte uma forte luz. Uma luz dourada que cintilava e suas cores dissipavam-se no céu azul. Estava distante eu era criança, mas ainda assim,  eu podia vê-la.

Eu quis ser astronauta para ir buscar essa luz que tanto imaginei.Eu sei que um dia todos verão essa luz, ela pode cegar, mas simplesmente não conseguimos parar de olhar para ela.

Depois que cresci quis alcança-la . Meus pais me disseram para ir. E que se eu chegasse lá e essa luz já não fosse tão importante eu poderia retornar ao meu lar. Como sou grato por meus pais serem quem são e , no fundo eu sei, que não importa onde eu vá, nunca encontrarei uma porta trancada se eu decidir voltar.

Desde que saí de casa tive dias medíocres e noites gloriosas. E, todas as vezes que os monstros tentavam me atacar com o anoitecer eu lembrava dos meus pais e como eles sempre me diziam que tudo acabaria bem.

E, mesmo quando não dava mais para segurar, quando o peso nos ombros se tornava insuportável, eu me lembrava que meu pai sempre me dizia que a escuridão é necessária para que os dias de luz fizessem sentido.

Eu caminhei por muito tempo. Eu olhava para os lados e eu me sentia sozinho. Eu não tinha nada para me agarrar e a subida parecia ser tão escorregadia…

Até que eu caí. E o fundo do poço foi a minha morada. E nos meses que eu vivi ali, eu precisei relembrar as histórias dos meus pais e como aqueles conselhos pareciam que faziam mais sentido agora. Como eles sabiam do que iria acontecer?

De repente o fundo do poço era uma mentira. O que parecia um fundo era o pico de uma montanha e lá de cima eu vi o sol brilhar mais forte.

E só então, depois de tanto tempo, eu entendi a mensagem dos meus pais: a luz que eu tanto procurei me acompanhou a vida inteira e ela estava bem viva, aqui dentro de mim.

Mais ainda não acabou. A maior viagem agora é a de volta para casa.

* { Texto inspirado na música: 93 Million Miles – Jason Mraz }