O café acabou

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Tudo perdeu o sentido. A vida ficou monocromática. Esse é o outono mais frio da minha vida. O café acabou, as esperanças também .

Desenterrei aquele rádio antigo e os CDs, na prateleira, empoeirados. Procurei um CD que me animasse, não houve uma música capaz de reerguer o meu humor. Estava ouvindo uma música que nem lembro o nome, o cd riscou em uma parte que dizia : “parece que tem dias que até as músicas colaboram com a nosso estado de espírito”. Tá frio demais, eu não quero abrir a janela para deixar o frio entrar.

Dessa vez achei que seria diferente. Eu nunca canso de me decepcionar. Por acaso na minha testa está escrito: “Pelo amor de Deus, me engane!” Porque, se tiver quero tirar.

Embora eu deteste o frio, eu gosto do Outono. Pelo menos naqueles dias em que tudo parece meio alaranjado e o frio é ameno, em que não é necessário usar um monte de roupas, uma blusa fina de manga compridas já é suficiente. Mas esse Outono está com cara de inverno, eu tenho até medo da estação posterior.

Nesses dias frios, me lembro como é triste não ter uma companhia para me aquecer, embaixo do meu edredom azul, que tenho desde os nove anos de idade.

No verão não estava assim.

Naquele tempo eu tinha você. Naquele tempo a gente ocupava o mesmo lugar no mundo. Agora cada um ocupa a sua própria parte.

Talvez na primavera eu supere a falta que você me faz.

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Para o meu pontinho cinza

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Enquanto todos estavam reclamando do preço das batatas, da falta de combustível e gritando para o presidente sair. Eu estava aqui. Entrando para a triste estatísticas das mães que sofrem de perda gestacional. Enquanto as pessoas, faziam filas para abastecer seus carros a preços abusivos. Eu estava em uma sala de ultrassom, torcendo para o médico ter errado e o coraçãozinho do meu bebe voltar a bater. E quando a greve acabou eu estava em um quarto de hospital esperando o momento de retirarem ele de dentro de mim.
Demorou para cair a ficha e ainda continua estranho. Aquela sensação de estranheza que a morte sempre nos traz…
Essas coisas parecem que só acontecem com a amiga da vizinha e nunca com a gente. Imaginem só, logo comigo, mãe de segunda viagem, com um histórico de gravidez e parto tranquilos!
Mas tem coisas que não dependem só da gente. O que me conforta é saber que eu fiz tudo o que estava ao meu alcance para que essa gravidez fosse a diante. Mas não foi. Não deu. E, por mais que a gente busque culpados nessas situações, não existem culpados. Não foi nervoso, não foi por esforço demais, não foi castigo divino, nem nada disso. Simplesmente não era pra ser, não dessa vez.
Esse sempre vai ser o filho que eu não tive, o choro que eu não ouvi, o semblante que eu não conheci e a risada que nunca vou saber como é. Nunca vou ouvir ele me chamar de mãe, ou dar os primeiros passos, nem espalhar brinquedos pela casa…
Dizem que os anjos não tem sexo, acho que é por isso que eu nunca vou saber qual era o dele.
E, agora dói muito, mas sei que essa dor vai ser amenizada. Já estou me conformando que agora também sou a mãe de um anjo. E, não tenho raiva de Deus, ou me sinto injustiçada. Me acho abençoada por ter carregado por dois meses um anjo dentro de mim. 👼 .

O caminho

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Às vezes, o caminho é longo e a subida é tortuosa.
Às vezes, você olha para o céu esperando que o tempo passe rápido e que o destino chegue logo.
Ter paciência na época em que tudo parece acontecer tão rápido é desafiante.
Mas a vida tem dessas: às vezes é correria e, em outras, calmaria.
E é necessário saber agir nas duas situações.
Mas todo aprendizado exige tempo e determinação.
Não tem como vencer sempre, mas desistir no meio do caminho é ignorar que na outra metade pode estar a vitória que a gente tanto almeja.
E, no final da contas, Deus nos mostra que por pior que pareça a caminhada, lá no final podemos nos deparar com uma paisagem tão incrível, que se algum dia alguém nos perguntar se foi difícil a caminhada, responderemos que foi sim , mas que, no fim das contas, a vista lá de cima recompensou todas os obstáculos que encontramos no caminho.

Porta – retratos

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Podem me chamar de louca, mas uma das coisas que mais gosto de fazer é ir na casa das pessoas e observar os portas-retratos.

Posso perder horas ali. Observando e admirando cada detalhe.

Amo fotografia porque é uma forma de congelar um momento, para que toda vez que dê saudades a gente possa matar, revendo as fotografias.
Quando escolhemos uma foto pra pôr nos portas – retratos elas sempre são as mais especiais, de momentos que nos fazem ter orgulho ou que nos fazem lembrar de fatos ou pessoas importantes nas nossas vidas.
Os portas – retratos com fotos de família são os meus preferidos, é tão lindo de ver. Acho que é porque lembro da minha família e como, apesar de todas as dificuldades, éramos felizes.
Hoje eu construo a minha família e tento fazer com que meu filho tenha boas lembranças da família dele também.
Ter uma família unida é ter um porto seguro, um lugar para voltar todas as vezes que as coisas ficam complicadas para enfrentar sozinho . Sou grata, todos os dias, por ter a oportunidade de ter vivido em duas famílias tão especiais, sou muito sortuda mesmo !

É amor demais. Amor que nem cabe em porta-retrato (mas que a gente tenta colocar assim mesmo).

As lições do meu passado

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We♥it

Refletir sobre o meu passado é como cutucar uma ferida. É admitir que eu não sou inteligente, forte e otimista o tempo todo. É mostrar ao mundo minhas cicatrizes. Mostrar que eu erro. E, que esses erros não acontecem somente de vez em quando, que eles acontecem muito mais do que eu gostaria.

Que apesar de eu me considerar um “ser humano não praticante” que eu sou muito praticante desse meu papel no mundo.

O Senhor Passado, me ensinou severamente, que a vida  não é uma linha reta. Não é um caminho, são escolhas. É uma encruzilhada.

Que as certezas de hoje são as incertezas do amanhã. Que nem sempre o que eu escrevo nas folhas finais do caderno irão se realizar.

Que uma lista de desejos pode não seguir uma ordem certa.

Que não adianta ouvir o Horóscopo de manhã e achar que tem todas as respostas ao final do dia.

Que os “amigos para sempre” se eternizam nas categorias de amigos do passado: amigos da escola, amigos da faculdade, amigos da maternidade…

O passado me ensinou que olhos mentem. Que bocas ofendem. Que promessas se perdem.

Eu aprendi com o meu passado que onde há fragilidade há uma força ainda maior que a supere.

Aprendi que somos bonecos de porcelana, que a vida é frágil, que qualquer simples acontecimento do dia a dia pode fazer com que a gente a perda.

Aprendi que o mundo é mais bonito se começamos a elogiar mais em vez de criticar.

Que sucesso é estar de bem consigo mesmo.

Que tudo bem se as coisas não acontecerem na velocidade de uma corrida de fórmula 1.

Que eu tô aqui vivendo, lentamente, aproveitando a paisagem pelo vidro do ônibus.

Que o silêncio é a mais importante de todas as palavras.

Que ficar triste, de vez em quando, faz bem. Porque nos abre os olhos.

Que uma coisa extremamente ruim pode me fazer evoluir (espiritualmente) como pessoa.

Que não importa se uma pessoa fala mentiras sobre você, o mais importante mesmo é o travesseiro estar leve ao dormir.

O passado me ensinou muitas coisas, mas uma das coisas mais marcantes foi a aprender a ser grata.

E, hoje eu tenho tanta gratidão com a minha história que eu considero que ser grata é mais importante que alcançar a famosa “felicidade”.

Porque se a gente é grato com tudo que nos acontece a felicidade vem de brinde!

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“Você não pode mudar o passado. Ele sempre foi. Ele sempre será. Mas eu ousaria dizer, você pode aprender alguma coisa com ele…”, frase do filme Alice através do espelho.

Coleguinhas que também fizeram um post com esse mesmo tema e que vale à pena conferir:

1-  Divergências Vitais (Bruna Aliatti)                                   2-  Carioca do Interior (Priscila Gonçalves)

Xeque-mate!

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Você é um jogador nato!

E eu entrei nesse jogo sem saber que estava entrando.

Me envolvi. Me deixei levar pelas suas estratégias.  Até que em algum momento eu percebi que eu não merecia ser só mais uma peça do seu tabuleiro.

Diferente das outras vezes, eu tomei conta da situação. Não sou mais simplesmente um acessório do jogo, agora estou jogando ele.

Mas como eu não gosto de perder tempo com joguinhos bobos dou a jogada final: xeque-mate para você, meu bem!

Continue por aí escolhendo as peças desse seu jogo sujo que não levará ninguém a lugar nenhum, continue trapaceando, brinque com os sentimentos dos outros. Hoje você é o jogador amanhã será só mais uma peça do seu próprio jogo.

O melhor do ano

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Em 2011 tive umas experiências complicadas de vida, que desestabilizaram o meu equilíbrio emocional.
Depois de várias noites sem dormir direito, pedi para Deus que me confortasse, que aliviasse o meu desespero. Pela primeira vez na vida li a Bíblia de verdade. E foi difícil interpretar a mensagem de Deus para mim, mas finalmente compreendi que: Tudo tem começo, meio e fim. E, algumas coisas precisam ter fim para que outras novas possam surgir.
Encarei os problemas como um meio que chegaria a um fim para depois vir um novo começo. Que meu coração sonhador torcia para ser bom.
Depois disso, aprendi a valorizar a vida e agradecer pelos dias bons e ruins. O que é bom vira memória e o que é ruim, experiência.
De lá para cá, os anos passaram. Cheio de coisas boas e ruins também.
Chegou 2017. E, eu que achei que depois de 2011/2012 eu estava forte para enfrentar qualquer situação, só que não. Me vi estressada, frustrada, desvalorizada e decepcionada. O meu corpo reagiu e eu fiquei muito doente.
Tive que procurar um nutricionista e fazer academia. Logo eu que sempre achei tudo isso fútil. Mas não é. E mais uma vez a vida me ensina que as certezas podem se tornar incertas a qualquer momento.
2017 está chegando ao fim. E, mesmo com todas as dificuldades que tive esse ano, sinto um apertinho no coração por ele estar acabando.
Foi um ano em que ri na mesma proporção em que chorei. Tive realização de sonhos. Ajudei pessoas. Conheci gente legal. Cuidei da minha saúde. E, sim, apesar de tudo, fui feliz.
Eu digo que esse foi meu ano “Montanha-russa” , entre subidas e descidas malucas.
Se for para colocar no pódio qual foi o “melhor do ano”, com certeza, escolho uma palestra com um professor incrível que tive no começo desse ano sobre Neurodidática. Fiquei apaixonada com a aula dele e aprendi coisas que levarei pelo resto da vida.
Como tentar fortalecer as experiências positivas e não as negativas. O caminho é lento, mas estou tentando  agradecer mais do que reclamar. Porque a reclamação vira mania e parece que quanto mais reclamamos mais motivos para reclamar vão surgindo. E quando agradecemos mais motivos para agradecer surgem.                        O legal da ideia de ter um ano novo é poder renovar as esperanças. É tipo o final de uma temporada da nossa série preferida. É ansiar pelo novo e torcer para que que as coisas comecem/voltem a dar certo.
Agora tô aqui ouvindo Coldplay e imaginando mais um fim de temporada nessa minha vida louca. Tô curtindo a paisagem e agradecendo ao universo por estar mais um ano por aqui, entre ganhos e perdas, aprendendo a cada dia como me tornar alguém melhor para o mundo. E que venha a nova temporada.

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