
Talvez seja só mais um dos zilhões dias de síndrome impostora, pode até ser…
Mas tem dias que me questiono se eu sou uma escritora ou só mais alguém que gosta de escrever.
Sim, porque é diferente.
Confesso que a minha escrita é puramente um conjunto de palavras que surgem aleatoriamente e compulsivamente enquanto a minha mão e meus dedos tentam acompanhar a montanha de palavras que surgem de repente.
Meu cérebro trabalha, mas quem fala é a alma e o coração. E eles pouco entendem sobre regras, sobre estrutura. Eles sentem e me fazem sentir. Porque essa sou eu: sentimentalismo e sensibilidade da cabeça aos pés.
E se minha alma se emociona toda vez que vê o pôr do sol, mesmo que já tenha visto muitas vezes e o meu coração palpita, e quase rompe o meu peito sempre que escuta uma música bonita. Eles precisam se materializar e, como todos somos feitos de arte e eu não tenho habilidades com desenhos ou com a criação de obras de arte, sobrou a escrita. Assim minha alma se expressa.
Ela não se importa se nunca teremos fama com isso. Mas ela precisa mostrar ao mundo que existiu, passou por aqui e deixou a sua marca.
Usamos as referências que temos, o que vemos, lemos, assistimos e vivemos. Não gosto muito de escrever difícil porque quero ser compreendida, por qualquer pessoa, independente de quais referencias ela tenha. Tenho horror de imaginar que uma pessoa precisará de um dicionário a cada parágrafo ou frase para compreender o que foi dito. Ah, mas assim o seu texto ficará pobre! A riqueza não está nas palavras, mas naquilo que foi dito. No significado que as palavras tomam ao ser lidas. E as palavras são bichinhos indomáveis, elas pousam nas mentes das pessoas e cada um enxerga na perspectiva da sua realidade, dos seus anseios e emoções.
Gosto de escrever e de registrar o meu olhar sobre as coisas. O meu jeito de entender, de vivenciar. Entendendo que a minha forma de enxergar muda conforme eu envelheço, porque eu sou questionadora e começo a questionar até o que eu tinha guardado na minha gaveta de verdades absolutas. E, por vezes, tenho que mudar essas verdades de gaveta e é isso que me faz sentir viva!
Sou uma quente inquieta, uma alma sensível, um coração que tem vida própria. E uma escritora, que gosta de escrever, de registrar a sua jornada na vida, com excesso de vírgulas e medo dos pontos finais.






