Tag: Setembro amarelo

Oi, gente. Tô aqui para responder uma tag muito especial, criada pela linda: Amor, Vida e Fé,

 

CTRC+C  + CTRL V  na explicação da Isa:  A Van criou a TAG com a intenção de trazer algumas questões que podem nos ajudar ou ajudar alguém que a gente conhece a identificar se existe um pensamento suicida.

Blogs indicados e regras:

  • Colocar o logo da tag √
  • Colocar o nome do site que te indicou e linkar √
  • Indicar até 3 blogs para responder √

amor-vida-e-fe

7 Seasons
O Terceiro Ato
Vivimetaliun

TAG – 10 fatos que falam sobre o Suicídio | Setembro Amarelo

  • Você sabe identificar os comportamentos e as ideias das pessoas suicidas?

Eu sempre achei que pessoas com tendências ao suicido eram pessoas quietas, antissociais e solitárias. Mas, quando eu fazia faculdade, uma moça se matou e chocou todos, porque ela era extrovertida, era casada e vivia bem com o marido. Sempre andava maquiada, bem vestida e continuava saindo com as amigas e elas até notaram que ela estava um pouco mais triste e quieta do que o habitual, mas acharam que era passageiro. Mas um dia sem ninguém esperar ela se suicidou. Então acredito que talvez a depressão, a tristeza o afastamento, podem ser indícios de que algo está errado com a pessoa.Porém não é só isso.

  • Já fez algum tipo de terapia com profissionais especializados (Psicólogo, Psicanalista ou Psiquiatra)? — Embora fazer terapia, não seja somente para pessoas que possuem pensamentos suicidas.

Não, mas deveria. Eu sofri bullying na escola e passei por algumas decepções muito grandes na minha vida e, por mais que eu me sinta superada sobre isso,  eu sei que seria muito bom conversar com um profissional sobre esses assuntos.

  • Você tem o hábito de escutar as pessoas?

Sim, inclusive é um traço marcante da minha personalidade, tanto que muita gente já me disse que eu deveria ser psicóloga (inclusive meus amigos psicólogos haha). Acho que mais importante que ouvir é respeitar, não julgar o que o outro diz. Às vezes, tudo que a pessoa quer é alguém que a escute. E , se ela pedir, contribuir com um bom conselho e com um ombro amigo caso ela queira chorar.

  • Consegue identificar com facilidade quando um amigo ou alguém muito próximo a você está triste, tem alteração de humor ou se isola?

Sim, sou muito observadora. Então todas as vezes que as pessoas com quem convivo aparentam estar diferentes, eu percebo. Eu sempre tento conversar, mas se a pessoa me pedir um tempo sozinha para organizar as ideias eu respeito.

  • Você já teve pensamentos suicidas ou já tentou se matar?

Infelizmente sim. Mais de uma vez. Quando eu era criança (sim, eu era uma criança e queria me matar) , por causa de problemas familiares e do bullying .Então eu sei muito bem como as coisas são muito mais complicadas do que parecem. Graças à Deus, nunca tive coragem e com o tempo busquei outras formas de vencer a dor.

  • Já passou por momentos de tristeza ou ansiedade profunda?

Muitas vezes. Eu sou muita ansiosa, desde criança. E isso já me fez sofrer muito por antecipação. E tristeza, como a Isa disse acho que todos temos períodos negativos em nossa vida. Vai muito da forma como encaramos essa tristeza. Eu sou daquele tipo que sofre com intensidade e depois dá a volta por cima. 🙂

  • Já parou para pensar sobre o que de fato é o suicídio?

Já e acho triste. Acho estranho, perturbador. Tenho a sensação de impotência de quem queria ter feito algo para ajudar a pessoa que fez isso. E vejo dor, muita dor pelo lado da pessoa que chegou a esse ponto. É muito triste quando uma pessoa chega a tomar essa decisão e ter coragem de ir a diante.

  • Sabe o que é o setembro amarelo?

Sim, é um mês sobre a conscientização dos suicídios. É um incentivo as pessoas a ajudarem àquelas que se sentem aflitas e evitarem suicido. E aquelas que se sentem mal, um apoio para que não cheguem a se ponto.

  • Você se corta ou se machuca por que uma dor interna incontrolável dentro de você?

Não. mas tinha uma amiga da época do colégio que fazia, eu achava que era frescura, mas hoje entendo que era um pedido de socorro. Graças à Deus, hoje ela parou com isso, tem família emprego e se recuperou desse mal.

  • Você está sofrendo porque um amigo ou ente querido acabou de falecer e por isso tem pensamentos negativos e vontade de sumir?

Não. Mas já passei por isso. Já perdi as contas de quantas vezes esses pensamentos ruins estiveram dentro de mim e quantas vezes na vida eu quis sumir, quantas vezes saí de casa sem querer voltar. E hoje, as vezes, acontece desses sentimentos ruins quererem voltar e o que eu faço? Eu procuro ouvir músicas que me deixam feliz, dançar sozinha em casa na frente do espelho, tocar violão, escrever, conversar com alguém que eu goste (nem que for por mensagem de texto), abraçar meu cachorro, assistir um filme de criança com meu filho, ficar abraçada com meu marido … Qualquer coisa que bloqueie a entrada de pensamentos ruins.

Se você respondeu essa TAG, passe-a a diante e indique mais três blogs. (acima eu já indiquei).

 

*A Isa deixou um recado no final da tag. Eu achei tão legal que resolvi fazer o mesmo:

Olha, gente. Eu também já passei por isso, eu também já senti uma dor que eu achei que iria me matar, senti o coração doer, perdi o apetite e a vontade de viver. Mas graças à Deus passou. A religião me ajudou muito, a maturidade também. Hoje eu posso dizer que venci! E que passo por situações difíceis com mais tranquilidade.  E por mais clichê que seja, é verdadeiro: tudo passa! Se você está se sentindo mal, procure ajuda, procura alguém que te escute e te encoraje a vencer. E se afaste de quem te coloca para baixo. Lute! Porque por mais que alguém tente te ajudar, se você não colaborar será difícil. Aceite que isso é um problema, mas que tem solução. Quando eu passei por um momento bem difícil minha mãe me disse o seguinte:

 “Se eu pudesse eu trocaria de lugar com você, eu sentiria toda essa dor que você está sentindo agora, mas tem algumas coisas na vida que só a gente pode passar, ninguém pode passar por nós. Essas dores, por piores que sejam são necessárias para o nosso crescimento. E um dia você vai olhar para trás e ver que a dor está cada vez mais distante, até um dia ela não causar mais nada em você.”

Sabe quando você é criança e faz um machucado bem feio no joelho ? Dói. Dói muito. Então começa a fase da cicatrização e a dor ainda é forte. Depois o machucado fecha e ainda dói, só que é menos (é mais agonia que dor). E se você for corajoso, arranca a casquinha e enquanto você a arranca sente doer, porque faz parte da sua pele, faz parte de você. Mas depois que você arranca as dores vão diminuindo até o dia em que você não sentirá mais nada. E em muitos casos nem cicatriz sobra. E se a cicatriz ficar, toda vez que você olhar para ela, você vai lembrar o quanto doeu e como não dói mais nada. E talvez você machuque o joelho outras vezes no mesmo lugar, mas você já vai saber que no final a dor acaba. O exemplo é bobo, mas é para refletir: Não tem como passar pela vida sem levar algumas cicatrizes, ou se machucar de vez em quando. Mas não há dor que não passe. E não vale à pena desistir de viver por isso. Eu sei que é difícil. Mas não desista, vai demorar muito, mas um dia vai parar de doer. Prometo.  

A outra mensagem que deixo é para quem convive com uma pessoa depressiva: Prestem atenção, não pensem que é bobagem, que é frescura, pois não é. Não subestime a dor que o outro tá vivendo, de fora é muito fácil julgar, mas só quem vive sabe como é. Ajude. Nem que seja só como ouvinte. Não deixe a pessoa muito tempo só, tente distraí-la. Nem sempre a pessoa percebe que está doente e precisa de ajuda, mas insista. Fique do lado, aconselhe.Se atente aos detalhes, algumas pessoas dão pequenos sinais de que alguma coisa não está bem.

Vamos todos nos unir para mudar essas estatísticas horríveis sobre o suicídio.

Se alguém quiser desabafar, deixe um e-mail: joy_daviz@hotmail.com.

Não guarde a dor para você. Cuide de você. A vida vale à pena, confie em mim. ❤

 

 

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O moço dos olhos cor de mel – O final

Olha quem finalmente veio postar o final desta história! ba dum tss \õ/

Preparem-se para drama, muito drama.

Peço desculpas à todos que queriam muito ler o final da história e agradeço quem esperou e acho super compreensível quem me desistiu de ler o final. Mil desculpas. Espero que gostem do final.

Para quem ainda não leu a história ou quer relembrar alguma parte para não ficar perdido, clique nos links abaixo:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

♥ Parte 4

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Imagem: Ben White

Rodrigo dirigiu até a cidade que ele morava ( e que tinha conhecido Lisbela). Alugou um apartamento e ficou lá por dias fumando e bebendo, afogando as mágoas. E desejando que aquela bebida tivesse o poder de fazê-lo esquecer tudo que tinha vivido até ali. Mas é aí que ele lembrava, ainda que seus pensamentos estivessem confusos. E no outro dia o que restava era uma dor de cabeça horrível e um estômago embrulhado.

Depois que sua mente — e coração– se acalmaram, ele pensou que talvez essa fosse uma oportunidade de procurar Lisbela e…

Mas mil coisas surfgiram em sua cabeça: E se ela estivesse com alguém ? E se ela não quiser me ver? E se… E se…

Rodrigo levantou-se e lembrou que não conquistou ela ficando parado. Em um momento de coragem decidiu que iria procurar Lisbela, iria dizer que a amava e tudo que tinha guardado no peito por todos esses anos. Ainda que voltasse com um “não” como resposta. Era melhor do que conviver com a dor de nunca ter tentado.

Ele foi para frente do emprego de Lisbela e ficou o dia inteiro observando cada passo dela. Seu cabelo tinha alguns fios brancos e ela estava um pouco abatida, mas continuava tão linda quanto a primeira vez que ele a tinha visto.

Ele esperou até a hora dela sair do serviço e a seguiu até a rua de sua casa.

***

Lisbela teve a sensação de que alguém a estava seguindo. E ao olhar para trás, percebeu que havia um homem a espreita atrás de um dos muros de um prédio que estava atrás dela. Ela achou muito suspeito e começou a apertar os passos.

Foi quando ela ouviu que o homem também começou a apressar seus passos e já estava quase alcançando-a. Desesperada ela correu sem olhar para trás.

Até que ouviu o estranho chamar pelo seu nome:

— Lisbela, pare! Pare, sou eu.

Ele nem precisou se identificar, ela reconhecia perfeitamente aquela voz. Ela parou no meio do caminho, seu coração parecia que iria sair pela boca. Ela ficou uns instantes parada de costas para ele.

***

Rodrigo parou. Não sabia o que dizer…

Quando começou a se aproximar ela virou de frente com ele. Por um momento os dois se olharam em silêncio. Até que Lisbela, virou-se novamente de costas e começou a andar.

Rodrigo correu até ficar na frente dela. Segurou seus braços e pediu que conversassem.

Lisbela olhou para ele e disse:

— O que você está fazendo aqui? Eu não quero problemas com a Célia e…

Antes que ela terminasse Rodrigo a interrompeu:

— Eu não estou mais com a Célia.

— Ah, então você acha que é assim? Rodrigo, fazem quase nove anos. N-O-V-E! É tempo demais, já me decepcionei muito com você e não quero sofrer de novo. — Disse Lisbela, indignada, soltando os braços das mãos de Rodrigo.

Lisbela já ia saindo, quando Rodrigo disse algo que a fez parar:

— E você não está sofrendo agora? Não está sofrendo sem mim? Porque eu sofro todos os dias desde que estou sem você. Nessa história toda você falou demais, a Célia falou demais, até minha mãe falou demais mas e eu? Você nem deu a oportunidade de eu me defender, ou pelo menos, de tentar te explicar o que aconteceu. Não, eu não fui correto com você. Eu fui um CANALHA, com letra maiúscula mesmo. Mas se te conforta eu paguei todo o mal que fiz para você. Só quero conversar com você, não vou forçar nada. Mas deixe eu desabafar tudo que está aqui dentro. Depois dessa conversa, juro não te procurar nunca mais se você quiser, mas por favor, me ouça.

Lisbela quase chorou, mas segurou firme. Virou-se para ele e disse:

— Tudo bem, vamos há alguma lanchonete ou restaurante.E conversamos. Mas sem compromisso. Vamos como amigos.

Rodrigo aceitou.Os dois foram andando lado a lado como dois desconhecidos. O silêncio reinava. Rodrigo sugeriu um restaurante e Lisbela concordou. Era perto dali e foram a pé.

Quando chegaram lá, escolheram uma mesa qualquer e pediram dois sucos de laranja.

Rodrigo começou a contar toda a história desde o começo. Contou que havia ficado com Célia em uma festa, que estava muito bêbado e que ela ficou se insinuando para ele. Claro ele não era nenhum animal desesperado por fêmea, mas foi fraco e acabou ficando com ela. Depois daquilo os dois nem haviam conversado mais. Até aquele dia em que ela contou que estava grávida. Ele contou que tentou ser um bom marido para ela. Tentou cumprir seu papel de homem, mas que nunca tinha sido realmente feliz. Contou da segunda criança e que a mãe dele começou a suspeitar das coisas. Contou dos dias em que passou embriagado.  Contou como estava sofrendo sem ela. Como a amava mesmo depois de tantos anos.

Lisbela ficou em silêncio, ouvindo atentamente tudo o que ele disse sem esboçar nenhum tipo de reação.

Depois de contar toda a história, ele pegou nas mãos dela. Enquanto as mãos dela estavam suadas as mãos dele estavam frias.  Ele olhou para ela e disse:

— Olha, eu estou aqui na sua frente me comprometendo a ser um homem melhor. Eu sei que errei e vou entender se, mesmo depois dessa conversa, você nunca mais quiser olhar na minha cara. E eu prometo que dessa vez eu vou me afastar de verdade. Mas pense bem, não seja orgulhosa, pense no que te faz feliz, pense se vale a pena sofrer só para ter razão. Eu juro que dessa vez eu vou te fazer feliz, juro. Me perdoe por todos os erros que cometi, mas por favor, não esqueça de todas as vezes que eu acertei.

Lisbela começou a chorar. Olhou para ele.

— E..eu não sei. Por favor, não faça isso comigo. É claro que eu te amo e nunca vou te esquecer. Mas você me machucou demais. Não sei mais se consigo ficar com você.

— Eu entendo. Mas não aceito. Pense, nós estamos envelhecendo, não vale a pena perder o amor da sua vida por orgulho.

— Eu sei, mas não sei se consigo.

— Tudo bem. Olha para mim. Faz assim: Eu te dou uma semana para decidir, para pensar se você disser não, eu vou embora para nunca mais voltar, prometo. — disse enquanto enxugava as lágrimas de seu rosto.

Rodrigo foi acompanhando Lisbela até a sua casa, já era tarde e onde ela morava costumava ser muito perigoso à noite.

Quando eles chegaram lá, Rodrigo já ia indo embora quando Lisbela o puxou pelo braço e roubou-lhe um beijo. Ele entendeu: a decisão já havia sido tomada. Lisbela pensou bem e percebeu que não valeria viver longe da pessoa que ela amava, trocou a razão pelo coração e estava disposta a lidar com as possíveis consequências que isso acarretaria. A prioridade agora era ser feliz.

Naquela noite os dois dormiram juntos e assim foi nos dois anos seguintes. Anos muito felizes, aliás.

Eles estavam tentando engravidar, sem sucesso. Então decidiram buscar um médico para ajudá-los. Fizeram vários exames e receberam a noticia de que Rodrigo estava com câncer de próstata.

Os dois choraram muito. Lisbela tentava ser forte, mas estava muito preocupada com Rodrigo.

Os meses foram passando e mesmo fazendo tratamento, a doença não dava trégua. O câncer havia se espalhado por várias partes do corpo. Já não tinha mais nada para ser feito. Então os dois resolveram aproveitar o máximo de tempo juntos, intensamente o amanhã era cada dia mais incerto. Lisbela não se conformava, depois de tanto tempo sofrendo separados, quando finalmente conseguiram ficar juntos surgiu essa doença para atrapalhar. Rodrigo ficava bravo quando ela questionava Deus. Ele era religioso e estava tranquilo, triste sim, mas tranquilo e grato por ter conhecido ela, por ter a oportunidade de compartilhar um pouco da sua vida com uma pessoa tão especial.

Rodrigo ainda viveu um ano. Foi triste, foi doloroso, mas os dois aproveitaram cada minuto juntos. Até que em um dia de primavera aqueles lindos olhos cor de mel se fecharam para sempre.

Para Lisbela, nada no mundo conseguiria substituir a presença de Rodrigo. Tanto que mesmo vinte cinco anos depois da morte dele, ela nunca mais se relacionou com ninguém, não conseguia. Ela dizia que o amor deles era único e especial, nada poderia substituir. As vezes, ela tinha a sensação de que ele estava junto dela, ela podia até sentir o seu perfume no ar.

Eu fiquei surpresa quando Lisbela me contou essa história. Parecia história de filme. Me deixou sem palavras, tudo que eu queria era entender porque tantas coisas ruins tinham acontecido na vida daquele casal e eu também fiquei triste pelo final. Lisbela me disse que não era para eu ficar triste que ela não ficava triste, porque Rodrigo só lhe causava pensamentos felizes e tudo que ela lembrava era o quanto tinha sido feliz ao lado dele. E também me disse que o final deles ainda não tinha chegado e que ela sonhava encontrá-lo em um outro plano espiritual. Ela me disse:

— Menina, você é jovem. Não deixe que o orgulho destrua um grande amor. Muitos dizem que o amor verdadeiro não existe, mas ele existe sim e está bem na cara de quem o quer ver. Viva o amor. Ame. Mesmo que o final não seja feliz como nos contos de fadas, o amor sempre vale à pena.

Foi então que o Ônibus dela chegou e eu a vi indo embora. Eu já tinha ouvido muitas histórias, mas sem dúvidas essa foi a mais impressionante (e triste) que já ouvi. Indubitavelmente, Lisbela e Rodrigo serão personagens da vida real que eu nunca esquecerei.