O moço dos olhos cor de mel – Parte IV

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Rodrigo passou meses tentando conversar com Lisbela , que o ignorou.

A mãe de Rodrigo convenceu Rodrigo a casar com Célia, pois a família deles era tradicional e seria uma vergonha que ele não assumisse a mãe de seu filho.

Eles esperaram que a poeira sobre o término do noivado com Lisbela abaixasse. E então fizeram um cerimônia simples para o casamento dele com Célia.

Rodrigo não se conformava de ter perdido Lisbela, não se conformava de ter feito ela sofrer.

Como moravam na mesma cidade era inevitável que se vissem de vez em quando. Lisbela nunca desviou o olhar, sempre olhou profundamente em seus olhos e quando isso acontecia Rodrigo sentia toda a dor que aquele olhar lhe trazia. Ela estava sofrendo muito e ele sabia que era injusto que ela sofresse por um erro  que ele cometeu. Por esse motivo, decidiu pedir transferência e ir para outra cidade, dizem que “o que os olhos não veem o coração não sente”, talvez se Lis deixasse de vê-lo ela sofreria menos, pelo menos foi isso que ele pensou que aconteceria…

***

Sete anos depois, Lisbela ainda pensava em Rodrigo. Ela pensava todos os dias em como as coisas poderiam ser diferentes se tudo aquilo não tivesse acontecido.

Ela sabia que Rodrigo tinha uma menina e que Celia estava grávida do segundo filho do casal. Isso a entristecia, ela não odiava as crianças, afinal elas não tinham culpa do que havia acontecido, não odiava Célia, porque Rodrigo era comprometido e deveria ter respeitado ela, mas por mais que tentasse, não conseguia odiar Rodrigo. O amor que nutria por ele era tão grande que ela seria incapaz de sentir qualquer sentimento ruim.

Ela sentia dor, sentia-se só. E tinha inveja de Célia por ter a vida que ela gostaria que fosse dela. De Rodrigo ela sentia saudade, daquele tipo que a gente só sente quando a pessoa morre. Porque para ela Rodrigo havia morrido. Ele nunca mais poderia ser dela.

Lis até tentava outros relacionamentos, mas não conseguia fazer que durassem. Nenhum deles era capaz de substituir o que ela e Rodrigo haviam vivido. Ela sabia, que no fundo, nada nunca seria igual. Nas histórias românticas as amantes sempre levam a pior e ficam sozinhas, mas desta fez a mocinha é quem estava.

Mas, o mundo costuma girar e colocar cada pessoa em seu lugar, por mais que demore.

***

Rodrigo também não conseguia esquecer Lisbela. Mas cumpria seu papel de pai e esposo. Ela tinha uma paixão enorme por Maria Luísa, sua filha. E agora, por Victor Hugo, seu filho de um mês.

Porém, algo estava errado e quem percebeu isso foi a mãe de Rodrigo. Ela viva levantando dúvidas sobre a aparência de Victor Hugo.

— Rodrigo, olhe para o Victor Hugo! Ele não se parece com a Célia, não se parece com você e nem com ninguém da família. Ele é muito diferente. Não sei não, viu? Se eu fosse você pediria um exame de DNA. Essa sua esposa não é flor que se cheire e eu não confio nela. — Dizia ela.

Rodrigo começou a ficar encucado. Realmente o menino não tinha nenhum traço dos familiares. Mas isso não significava nada, talvez fosse só implicância da mãe dele, que odiava Célia. Mesmo assim, esse assunto o fez perder o sono por tantos dias. Que ele acabou decidindo fazer o exame e tirar a dúvida de vez. Assim a mãe ficaria quieta e ele tranquilo.

Obviamente Célia sentiu-se ofendida e não queria fazer o teste. O que causou ainda mais dúvida na cabeça de Rodrigo. Foram cinco meses até que ele, finalmente conseguisse fazer o exame.

Depois de um tempo saiu o resultado. As mãos de Rodrigo suavam.

Ele abriu o exame. E para a sua decepção, o exame confirmou que ele não era pai de Victor Hugo. Ele voltou para casa revoltado. Célia se defendia, dizia que ele tinha pagado pelo resultado. Ele lhe deu um tapa na cara e disse:

— Deixe de ser sonsa! Eu nunca faria isso. Diferente de você, eu tenho caráter.

— Sonsa!? Sonso é você que há sete anos assumiu dois filhos que não são seus. Você se acha muito esperto, né Rodrigo? Mas você é um burro, um ignorante. Se fosse esperto teria pedido desde o começo o exame de DNA. — retrucou Célia, chorando e gritando para quem quisesse ouvir.

— Não, você não fez isso comigo! A Maria Luísa é minha filha sim, eu sei que é. Você sabia que eu estava noivo, eu perdi tudo que tinha por sua culpa. — Rodrigo respondeu indignado.

Célia só riu. E ele, em momento de fúria ergueu a mão para batê-la. Ela segurou seu braço e disse:

— Vá em frente! Estou louca para arrancar mais dinheiro de você e de quebra ainda te deixaria preso! T-r-o-u-x-a.

Rodrigo conteve-se pegou a chave do carro e foi embora. Alugou um hotel para passar a noite e ligou para sua mãe contando toda a história.

A mãe dele o aconselhou a fazer o exame de DNA da menina também. E foi o que ele fez.

No dia seguinte, sem que Célia soubesse, ele buscou a menina na escola e a levou para a Clínica.

Célia ficou possessa e o proibiu de ver a menina daquele dia em diante. Ele não queria isso, mas Célia deixou claro que ele não era o pai e que ela não permitiria mais a presença dele na vida da criança. Maria Luísa chorou muito abraçada ao pai e Célia a obrigou a entrar no carro e ir embora.

Três meses depois, o exame chegou. Ele abriu e leu o laudo do teste que afirmava que ele também não era o pai de Maria Luísa.

Esse exame mudaria todo o rumo de sua vida.

{Continua}

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5 comentários sobre “O moço dos olhos cor de mel – Parte IV

  1. agora to ficando maluca… acho bem feito pra ele, se não tivesse dormido com essa Célia safada não passaria por isso.. (Célia é o nome da minha mãe, mas essa dai não tem nada a ver com ela) kkkkkkkkk

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