Primeiro dia de aula

IMG_5913.JPG

Eu sou uma pessoa ansiosa, ponto.

E as “primeiras vezes” sempre me deixaram angustiadas. A primeira vez na escola, o primeiro beijo, a primeira vez sem meus pais…

Agora, imagine como eu reajo com as primeiras vezes do meu filho.

De certa forma, cada vez que o Gabriel é capaz de fazer algo sozinho, é um atestado de que estou perdendo aos poucos ele para o mundo. E qual o problema nisso? Nenhum. A não ser aquela preocupação de mãe que sempre quer proteger o seu filho de tudo e que acha que o melhor lugar para ele é ao meu lado. E alguém duvida disso?

Quando o Gabriel foi pela primeira vez para a escola, ano passado. Eu quase não conseguia dormir. Como seria a adaptação, iriam judiar dele, ele iria comer bem? Ele iria chorar?

A minha visão de primeiro dia de aula era bem clara: as crianças agarrando nas pernas dos pais, aos prantos, enquanto as professoras arrancavam-lhes sem piedade nenhuma e os jogavam para dentro das salas. Eu imaginava um caos. Um coro choroso de crianças de várias idades.

O que eu vi, na verdade, foi um monte de crianças tranquilas — claro que algumas choravam– mas um monte de mães chorando desesperadamente ao soltar das mãos dos filhos e entregá-las para as professoras.

Eu fui forte. Abracei, beijei e me despedi, sem derramar uma lágrima.

A garganta parecia ter uns três nós gigantes. Até eu chegar ao portão e desabar. Chorei. Doeu o peito, doeu a garganta e o coração. Que tipo de mãe eu era? Uma megera que abandona o filho na escola. Péssima. Fria. Pior tipo de mãe. Eu não queria ser minha filha.

Sem dúvidas, aquela foi a manhã mais comprida da minha vida. O relógio, de pirraça, parecia que tinha empacado nas nove horas. Onze e meia parecia nunca chegar. Finalmente pude buscar meu filho e tirá-lo daquele lugar horrível. O coração saia pela boca, enquanto eu estava a caminho.

Quando cheguei lá, ele estava sentadinho, com a carinha de paisagem de sempre. Dei um abraço forte nele, finalmente juntos novamente.

E eu perguntei:

— Como foi hoje?

E ele com a maior carinha de pau me responde:

— Normal, mãe!

Como assim N-O-R-M-A-L? Que vocabulário era esse? O que fizeram com o meu bebê? Deixei um bebê na escola e voltei com um adolescente? Que tipo de criança volta da escola pela primeira vez e diz que achou normal?

Cordão umbilical cortado com sucesso. E, acreditem, doeu mais em mim do que nele.

Hoje teve início mais um ano letivo. Eu achei que por ser a segunda vez eu sofreria menos. Mas, cheguei a conclusão que jamé irei me acostumar, acho que vou chorar até quando ele for pra faculdade.

É difícil perceber que meu bebê ( que já não é mais bebê) está crescendo. E a cada dia precisa menos de mim. Aos poucos ele sai do ninho e vai conquistando seu lugar no mundo. Enquanto isso, eu fico aqui, aos prantos, triste por ele estar crescendo e feliz por perceber que a cada dia ele conquista um pouquinho do seu lugar no mundo.