Amores platônicos e impossíveis

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Eu não sei explicar muito bem…

Bom, essa é a primeira carta que escrevo e … vixe, esqueci de colocar a data e a cidade. Não que esses tipos de carta precisem de muitas formalidades, mas eu pensei…

poxa, eu pensei… Caramba! Acho que não é correto escrever tudo que a gente pensa, né? Talvez se eu desenhasse um coração…

Acho que é cedo demais para te dizer que seu sorriso me hipnotiza e que sua voz me estremece, é cedo para falar “eu te amo”? É cedo para imaginar eu, você, dois filhos  um cachorro?

Ok, você nem me conhece. Mas eu te conheço e esse é o problema. Você está na minha lista de amores platônicos e provavelmente impossíveis.

Acabei de te ver e já descobri o seu nome: JHONY, muito bad boy esse seu nome, mas um motivo para eu me apaixonar.  Já procurei você no Facebook, mas não tive coragem de adicionar. Vi umas desqualificadas curtindo sua foto… Fiquei com raiva, mas aí lembrei que você não era meu mesmo.Desencanei.

Ai, será que você gostaria de receber uma carta de amor? E…

O que?

Meu Deus porque ele está vindo para cá? Ah!!!! O que eu falo? Ai, Senhor!!!

— Oi, meu nome é Jhonny. Faz dias que estou te observando e tentando de todas as formas me aproximar de você. Mas pensei que você me acharia um louco, afinal a gente só se tromba todos os dias nos corredores da empresa e nossos setores são outros. Mas hoje cansei só de te olhar de longe, e os caras me encorajaram a vir te chamar para  sair para tomar café comigo hoje? Só nós dois? E aí topa?

Eu só abri um sorriso desconcertado e respondi:

— É… sim… claro.

Ok, acho que alguém acabou de estrear a lista: amores platônicos e completamente possíveis.

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Pai, você não teve culpa

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Lembro que uma vez quando eu me lasquei muito na vida (eu já me lasquei pra caramba, mas dessa vez foi o pódio das decepções) meu pai se sentiu culpado.
Ele que era super falante; calou.
Ele sentiu que não tinha cuidado direito de mim e , que por isso, a única menininha dele no meio de quatro irmãos tinha se decepcionado e estava sofrendo.
Pai, vou te contar um segredo: você não teve culpa de nada.
Sabe pai, eu sei que os pais não querem ver seus filhos derrubarem lágrimas. Sei também que a sociedade tem mania de jogar nas costas dos pais o insucesso dos filhos, mas não pai, você não teve culpa.
Mesmo você até hoje me chamando de princesa, eu cresci pai. E, só o fato de crescer já doeu. Doeu os ossos, doeu o peito. Doeu saber que eu estava crescendo e que logo nem você nem a mãe poderiam mais me proteger.
Doeu quando zombaram de mim na escola por eu ser sua filha e, por algum motivo idiota, as pessoas acharem que a sua mania de contar histórias, a sua falta de dinheiro e o seu jeitão simplão era motivo de chacota.
Doeu quando eu tinha oito anos e quase te perdemos.
Doeu quando desfizeram de você na minha frente.
Mas pai, o tempo voou mesmo. E eu cresci. E, nesse percurso eu enfrentei muitas coisas; algumas delas, sem você.
Quando a gente cresce a gente faz escolhas, você sabe que nem todas elas são bem feitas e a gente tem que pagar as consequências disso.
Muitas vezes eu chorei escondido e queria ter o meu melhor super herói do meu lado. Mas você não tava, pai. Outras vezes, eu escondi a tristeza de você para não te fazer sofrer.
Só que dessa vez eu não consegui.
Mas não. Não é sua culpa.
Não havia muita coisa que você pudesse fazer por mim. Há não ser ficar ao meu lado, que foi o que você e a mãe fizeram. Muito obrigada por isso.
Você sempre foi um meninão e a gente sempre brigou muito por isso. Mas eu admiro a sua capacidade de, apesar dos cabelos brancos, não envelhecer nunca.
Esse ano, nós dois realizamos um sonho: você me levou ao altar no dia do meu casamento.
E foi um momento que guardarei para sempre em meu coração. Foi especial.
Pai, obrigada por ser o melhor pai que uma menina pode ter. Um pai presente e brincalhão. Você e a mãe são as minhas inspirações do tipo de pessoa que eu quero ser. Amo você. Para sempre.

 

P.s.: Esse post era para ter saído no dia dos pais, mas já que hoje é aniversário do meu pai achei legal postar hoje

 

A alegria de não ser nada

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É curioso estar em um dia ruim e sentir-se melhor ao ler textos que você mesmo escreveu.

Já me disseram que eu não era nada, já me chamaram de inútil, de fracassada…

Por um tempo, essas palavras me machucaram. Até o dia que compreendi que eu não era o que os outros diziam. Aliás, compreendi que o que eles pensavam de mim era totalmente irrelevante, e era inútil sentir-se mal por aquilo que a gente sabe que não é.

A sua vida pode ser horrível, você pode ter um emprego horrível , um relacionamento que acaba com as suas forças vitais e não ter nenhum amigo para confiar suas aflições. Mas você terá a sua presença, você sempre terá você.

Quando as coisas ficarem difíceis, coloque a sua música favorita para tocar e dance, chore, ria, faça o que tiver vontade, até sentir a dor ir embora.

E se chover no meio do caminho? Faz de conta que você é criança e pule nas poças de lama.

Quando a gente é criança uma limonada por mais azeda que esteja não consegue estragar o nosso dia. Diplomas? Status? O que é isso mesmo?

Criança vive o dia sem se preocupar com essas bobagens sociais.

Se um dia alguém lhe disser que você não é nada, agradeça. É melhor ser um nada para os outros mas amar aquilo que reflete no espelho. Do que ser “tudo” para os outros e odiar a sua própria imagem no final do dia.

 

Não fale mal de você mesmo

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Quando eu tinha uns doze anos, eu meio que conheci um cara.

Meio porque não conheci de verdade mesmo. Meio porque só conversei com ele uma vez e nunca mais o vi na vida.

Mas aquela conversa de algumas horas rendeu muito aprendizado.

Ele estava só. E tinha a cara tristonha. E eu sempre fui dessas que odeia ver pessoas tristes. Eu achei que — mesmo ele sendo um completo desconhecido — eu poderia ajudá-lo de alguma forma. Foi uma atitude perigosa, já que eu não o conhecia; e, eu era nova e ele era homem, bem mais velho.

Eu estava com uma amiga minha e começamos a puxar assunto com ele. Perguntei se ele estava bem. E, ele estava com um problema que acho que todo ser humano já passou, pelo menos, uma vez na vida: um coração partido.

Mas não esse não é mais um texto sobre amor e corações partidos, caro leitor.

É um texto sobre como uma menina de doze anos aprendeu com um desconhecido uma coisa que levaria para o resto de sua vida.

Conforme fomos conversando e ele contando sobre ele e sobre sua decepção amorosa, acabamos entrando em outros assuntos.

E eu brincando, comecei a falar sobre os meus defeitos.

Ele me disse que falar mal de si próprio era uma coisa errada.

Errada porque, segundo ele, quando falamos mal de nós mesmos damos força para que os outros falem mal de nós.

E depois reclamamos que os outros falam da gente. Mas quem expôs esse “defeito”, essa insegurança, fomos nós.

Eu fiquei dias pensando sobre isso e percebi que era verdade.

E, isso me remeteu à duas coisas:

1º A Clarice Lispector;

2º O filme Deixe-me entrar.

A Clarice, por causa daquela frase que diz :

“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso – nunca se sabe qual o defeito que sustenta o nosso edifício inteiro.”

E o filme, Deixe-me entrar, porque na história a personagem …. diz que só pode entrar na casa do menino se ele lhe der permissão. Por isso, ela pergunta para ele: — Deixe-me entrar?

Ou seja, você já parou para pensar que, muitas vezes, nós permitimos que as pessoas falem sobre nós?

Que ao expor nossas fragilidades podemos dar permissão aos outros que cutuquem ainda mais essa ferida que está aberta?

Não que devemos nos achar superiores aos outros e ignorar os nossos defeitos. Não é isso. É ter consciência de que somos imperfeitos sem precisar o tempo todo falar isso para as pessoas.

Falar mal de si vira assunto. É como falar do tempo e até mesmo falar de outras pessoas.

Tem gente que reclama muito dela mesma, se cobra demais. E, às vezes, espera que o outro o ajude a mudar aquele defeito. Mas essa mudança depende de nós e, apesar do conselho da outra pessoa poder ajudar quem deverá ter uma atitude para mudar somos nós mesmos.

Mas temos que ter duas atitudes diante os problemas: a primeira é tentar acabar com esse defeito e o segundo é aprender a conviver com ele.

Não que a gente tenha que ser super fechado e não se abrir com as outras pessoas. Podemos sim. Mas temos que tomar cuidado com as pessoas para quem contamos nossos defeitos, nossas fraquezas, nossos pontos fracos. Porque a pessoa pode se aproveitar para usar essa informação sobre nós um dia.

Então o conselho que fica é : cuidado ao exaltar seus defeitos para os outros. Lembre-se daquilo que os guardas falam nos filmes quando irão prender alguém: — Você tem o direito de permanecer calado, tudo o que disser pode ser usado contra você.

 

O melhor presente da minha vida

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Hoje faz cinco anos.

Cinco anos que vi seu rostinho pela primeira vez. Que te acalentei em meu seio e te coloquei para dormir.

Faz cinco anos que vi o nascer do sol pela primeira vez. Que senti aquele mix de emoções inexplicável: vontade de rir e chorar ao mesmo tempo.

Há cinco anos eu me descobri mãe.

Descobri que mãe sente medo, sente dor, sente culpa e sente raiva, às vezes. Mas descobri também aquele amor incondicional de que tanto falam.

Aprendi que o peito dói quando você não está bem. Que casa silenciosa é um tédio e muito vazia quando você não está (ou quando você dorme).

Você veio assim: de surpresa. E mudou toda a rota que eu tinha feito para a minha vida. Se eu tive medo? Muito. Mas ainda vale muito a pena.

Mesmo sabendo que eu perdi muitas horas de sono. Mesmo sabendo que eu tive que abri mão de um monte de coisas por causa de você. EU NÃO ME ARREPENDO DE NADA.

Se antes eu sonhava alto, se o maior sonho que eu tinha era fazer mestrado, doutorado e ganhar muito dinheiro, hoje eu penso em como eu posso seguir minha carreira sem abrir mão do bem mais precioso da minha vida que é você.

Hoje eu descobri que o verdadeiro valor das coisas está no tempo que você dedica para as pessoas que você ama. Porque a gente pisca e já é ano que vem. A gente pisca e o nosso bebê já têm cinco anos e já começou a perder os dentes de leite.

Não é que eu abri mão da minha carreira. Não é isso. É só uma questão de prioridades, eu espero um dia poder fazer mestrado e doutorado só que mais para frente. E se não der certo tudo bem. E não é comodismo não, viu? É apenas enxergar o copo meio cheio e ser feliz com aquilo que eu já tenho. E, poxa eu já tenho tanto!

Eu sei que a sociedade vai me julgar. Mas eu sei que eu estou fazendo as minhas escolhas e sejam lá quais forem as consequências, foram coisas que eu quis e não que quiseram para mim.

E é uma das coisas que eu quero te ensinar: seja você. Faça aquilo que a sua intuição lhe diz, se isso não for machucar outra pessoa, é claro. Ouça o que os outros dizem mas absorva somente aquilo que você puder transformar em algo bom.

Cada dia mais eu vejo a competitividade desse mundo. A amizade só dura até a entrevista de emprego. E eu não quero isso pra ti. Quero que sejas feliz.

Quero que faça bons amigos e que sejas um bom amigo. E, tá bem difícil de acreditar, mas quero que a sua geração viva em um mundo melhor.

Por fim, eu sei que uma hora você nem vai ligar tanto para mim. Mas eu estarei sempre aqui torcendo por você e me lembrando que o dia 15 de agosto eu recebi o presente mais incrível da minha vida.

 

Por favor, vá!

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Imagem retirada do Pinterest

Você é daqueles tipos que chegam ser receber convite. Eu odeio perder o controle das coisas, eu odeio perder o controle de mim. E você insistiu tanto que conseguiu me desestabilizar.

Você me faz odiar ainda mais o inverno. Me faz pensar em coisas tristes, me traz decepção. E por mais que eu tente fugir de você, sempre perco a “luta”. Você tem o poder de me paralisar.

Eu tento te evitar e a cada vez você aparece o sentimento parece ficar ainda mais forte. Faz um favor: desiste de mim, vai.

Já parei de fazer coisas que eu amava só para não te ver mais…

Não espero a hora da primavera chegar que é pra ver se você desaparece de vez. Odeio essa gripe. Odeio estar gripada. Odeio sentir frio. Então, por favor, querido vírus da gripe vá logo embora!

 

O que me inspira?

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Desde que eu aprendi a escrever passei a rabiscar as últimas folhas do caderno para escrever sobre as coisas que eu observava no meu dia a dia. Em casa, sempre fui uma criança comunicativa, mas quando eu estava fora do meu porto seguro era extremamente quieta. Minha mãe dizia que eu quietava para poder observar tudo que estava em volta de mim, eu não deixava escapar nenhum detalhe: o olhar das pessoas, a forma como elas mexiam as sobrancelhas, como gesticulavam ao falar… Sem contar, é claro, no meu contato com a natureza. Eu era daquelas criancinhas doidinhas que conversava com as árvores (ótimas confidentes, por sinal). Então tudo que estava a minha volta era observado atentamente por mim.

Eu ainda não sabia, mas de certa forma ser observadora era o meu “laboratório”, era ali que eu encontrava subsídios para escrever os detalhes que meus textos exigiam.

No começo, eu escrevia para desabafar. Para falar dos meus sonhos e para me esconder de um mundo ruim que eu observava.

Eu escrevia sempre. Mas quando eu estava triste a inspiração parecia fluir.

Por muito tempo, pensei que a única forma de escrever bem era ficando triste. Com o tempo descobri que da mesma forma que não dá para ficar feliz por muito tempo não dá para ser triste o tempo todo (ainda bem).

E, foi preciso um esgotamento emocional para eu me descobrir outra pessoa. E essa nova pessoa descobriu que a tristeza era um mero detalhe, que a inspiração vinha de muitas outras coisas.

Vinha de uma música legal que eu ouvi na rua, de um livro que eu li ou de um filme bacana que eu assisti, de uma conversa com desconhecidos…

E, a partir daí, a felicidade passou a fazer parte do meu processo de inspiração.

Se antes eu só escrevia para desabafar hoje escrevo para compartilhar a minha alegria.

A inspiração está em todos os dias em todos os lugares. Mas tem dia que estamos mais propensos para percebê-las. E, cada dia o cotidiano pode nos tocar de uma forma diferente e inspiradora.

 

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